Descrente com Argentina, Abitrigo avalia outros fornecedores

A Associação Brasileira da Indústriado Trigo (Abitrigo) avalia que o Brasil terá que importar esteano um volume maior do cereal no mercado mundial por estar comdificuldades de realizar as tradicionais compras junto ao seuprincipal fornecedor, a Argentina, que está restringindo asexportações. Depois de conceder registros para exportações de cerca de 7milhões de toneladas do cereal para todos os seus clientes, ogoverno argentino suspendeu as vendas externas do produto, paragarantir a oferta interna e controlar a inflação. O problema da indústria brasileira é que o Brasil sóconseguiu registros para 3 milhões de toneladas (do totalregistrado), volume que será embarcado até meados de fevereiro.E, avaliando a oferta na Argentina, a Abitrigo não crê que oseu fornecedor preferencial reabra as vendas. "No curto período que abriram exportação entre novembro edezembro, venderam 7,4 milhões, está sobrando 1,1 milhão (paraexportar)... Se a Argentina não abrir registros, e não vaiabrir, porque só tem 1,1 milhão, o Brasil vai ter que buscar emoutro lugar", afirmou à Reuters o presidente do ConselhoDeliberativo da Abitrigo, Luiz Martins. O volume de 1,1 milhão de toneladas citado por Martins é adiferença entre um saldo exportável de 8,5 milhões de toneladase o total já comprometido para vendas externas. Com um consumo anual de 10,5 milhões de toneladas, o Brasilprecisaria buscar, segundo Martins, mais 4,5 milhões detoneladas em outros mercados que não a Argentina parasatisfazer suas necessidades, na hipótese de o governoargentino não mais reabrir as exportações quando acabarem osestoques formados com as últimas importações da Argentina. O Brasil já tem compradas junto à Argentina 3 milhões detoneladas, e nos últimos anos tem contado com uma ofertainterna, produzida localmente, de 3 milhões de toneladas. "E vai ficar nisso aí, paciência, e o Brasil não tem trigosuficiente, está faltando 4,5 milhões, vai ter que buscar emoutras origens." Entre janeiro e novembro de 2007, segundo dados oficiais, oBrasil importou 6,1 milhões de toneladas de trigo, sendo 5,2milhões na Argentina e o restante nos Estados Unidos (354 miltoneladas), Canadá (327 mil toneladas), no Uruguai e Paraguai. Com as restrições argentinas, o volume importado de outrospaíses, como EUA e Canadá, poderia subir consideravelmente. Para facilitar essas compras, entretanto, a indústriaespera que o governo brasileiro atenda finalmente a uma antigareivindicação. A Abitrigo quer que o Brasil zere a tarifa de 10por cento aplicada sobre importações fora do Mercosul, até paraque os custos adicionais não sejam repassados à farinha. TRADERS DIVERGEM Uma fonte de uma trading internacional concorda com aavaliação da Abitrigo. "É mais ou menos isso, a Argentinavendeu muito para outros mercados que não o Brasil", explicou. Diante do sistema tributário que estimula exportações deprodutos processados na Argentina, o trader comentou que não háindicações de que o país reabrirá as exportações. E acrescentouque o vizinho tentaria ampliar as vendas de farinha ao Brasil,que dobraram para cerca de 600 mil toneladas em 2007. Já o diretor da importadora Cotrex, Nelson Montagna,acredita que a Argentina voltará a dar registros, até porqueentre estoques e sobra da safra não comprometida com vendas opaís teria uma oferta de 4 milhões de toneladas, disse ele. Os registros serão reabertos porque os argentinos têmproduto e querem aproveitar a alta dos preços, segundoMontagna. O Brasil, assim, realizaria novas compras, ecompletaria suas necessidades nos EUA e Canadá, como sempre.Para Montagna, na hipótese de os registros argentinos não seremreabertos, o que ele descarta, o Brasil importaria de outrosmercados cerca de 2 milhões de toneladas, para atender àsnecessidades em maio, junho, julho, agosto e setembro, até aentrada da safra nacional.

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