Desembolsos do BNDES batem novo recorde: R$ 168 bi

Valor é quase 23% maior que o de 2009, em meio à recuperação da economia, atingida pela crise mundial

Alexandre Rodrigues, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2011 | 00h00

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) manteve a trajetória de crescimento acelerada após a crise mundial e terminou 2010 com novo recorde de desembolsos: R$ 168,4 bilhões. A cifra, divulgada ontem, representa um crescimento de quase 23% em relação aos R$ 137,4 bilhões emprestados pelo banco de fomento em 2009, em meio à recuperação da economia.

Os números de 2010 e 2009 foram influenciados pelas operações especiais do banco para financiar investimentos da Petrobrás. Em 2009, o BNDES concedeu empréstimo de R$ 25 bilhões para a estatal. Em 2010, com recursos emprestados pelo Tesouro, num movimento que ajudou o governo a cumprir a meta de superávit fiscal, o BNDES aportou R$ 24,7 bilhões na capitalização da Petrobrás, ajudando a elevar a participação estatal na companhia.

O BNDES apresentou um cálculo que desconsidera o impacto da capitalização da Petrobrás, reduzindo para 5% a alta nos desembolsos, mais perto da projeção de Coutinho para o ano.

No entanto, a conta não excluiu o empréstimo especial de 2009 para a estatal. Em novembro, o banco havia descontado as duas operações em um balanço dos 12 meses anteriores a outubro que apontava crescimento de 43% nas liberações em relação ao mesmo período de 2009.

O desempenho recorde do BNDES em 2010 também se refletiu no número de operações aprovadas, que somaram pouco mais de R$ 200 bilhões, 18% a mais do que no ano anterior. O indicador aponta para a manutenção do crescimento do banco em 2011, embora o chefe do Departamento de Orçamento da Área de Planejamento do BNDES, Gabriel Visconti, diga que ainda não há previsão.

"O banco vai continuar com seu papel fundamental de estimular o investimento na economia. Não esperamos um crescimento explosivo, mas não vamos encolher", disse Visconti, referindo-se à perspectiva de crescimento das liberações para grandes empreendimentos de infraestrutura, como as hidrelétricas de Belo Monte, Santo Antônio e Jirau.

Visconti admitiu que as medidas de incentivo ao financiamento privado de longo prazo lançadas pelo governo no ano passado ainda terão impacto reduzido este ano na demanda por crédito que hoje recai quase exclusivamente sobre o BNDES. Em 2010, a indústria ficou com 47% do total de recursos. A infraestrutura ficou com 31% e o setor de comércio e serviços, com 16%.

Diferentemente do ano passado, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, não concedeu entrevista ontem para divulgar o resultado de 2010. Ele está envolvido em negociações com a equipe econômica do governo para traçar o orçamento do banco para 2011 e prorrogar incentivos.

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