Fábio Motta|Estadão
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Desembolsos do BNDES caem 35% em 2016 e têm o menor valor desde 2007

Dinheiro liberado para projetos de investimento passou de R$ 135,9 bilhões para R$ 88,3 bilhões, o maior recuo desde 1995

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2017 | 15h19
Atualizado 31 de janeiro de 2017 | 17h08

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou R$ 88,3 bilhões para projetos de investimento em 2016, um recuo nominal (sem descontar a inflação) de 35% em relação ao ano anterior, quando os desembolsos atingiram R$ 135,9 bilhões. O recuo é o maior já visto na série histórica do desempenho da instituição, que inicia em 1995 e traz comparações anuais desde 1996. Antes disso, a queda mais intensa havia sido registrada em 2015, quando as liberações do banco de fomento cederam 28% em termos nominais (sem descontar a inflação).

Em volume, os R$ 88,3 bilhões desembolsados pelo BNDES no ano passado representam o menor montante desde 2007, quando a instituição liberou R$ 64,8 bilhões. Antes disso, a última vez que o banco de fomento registrou desembolsos abaixo de R$ 100 bilhões foi em 2008 (R$90,9 bilhões).

O superintendente da área de Planejamento e Pesquisa do banco, Fabio Giambiagi, descarta a retomada do patamar de R$ 100 bilhões já em 2017. "O retorno a um patamar de R$ 100 bilhões não está em perspectiva imediatamente. Não seria realista trabalharmos com isso para este ano", disse Giambiagi.

Em dezembro passado os desembolsos do banco somaram R$ 11,8 bilhões, acima da média mensal de 2016. Para Giambiagi, ainda não há uma tendência firme de recuperação, principalmente após tantos meses de quedas significativas das liberações de recursos.

"A tendência é que até o fim do ano isso avance, mas não dá para dizer que o aumento de dezembro per si signifique uma retomada", disse em entrevista coletiva.

O departamento de pesquisa do banco trabalha com uma estimativa de crescimento do País em 2017 entre 0,5% e 1%. Para Giambiagi, a redução da taxa básica de juros, a Selic, pode ajudar a reduzir o endividamento de empresas e famílias, impulsionando a economia. A área tem um cenário base com a Selic caindo e terminando o ano em 9,5% a 9,75% ao ano.

Questionado se a queda da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) ajudaria também a aumentar a demanda de recursos junto à instituição de fomento, o executivo preferiu não comentar e disse que é uma decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN).

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