Desembolsos do BNDES devem encolher 9,5% este ano

Orçamento previsto é de R$ 170 bilhões; objetivo do banco de fomento é reduzir dependência do Tesouro Nacional

MARIANA DURÃO E MARIANA SALLOWICZ, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2015 | 02h02

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) dará continuidade em 2015 ao processo de encolhimento iniciado ainda na gestão de Guido Mantega no Ministério da Fazenda. O orçamento de desembolsos para este ano é de R$ 170 bilhões. O montante significa um tombo de 9,5% em comparação aos R$ 187,8 bilhões destinados a empréstimos no ano passado, mesmo sem descontar a inflação acumulada no período.

A ideia é que o banco diminua a dependência de aportes do Tesouro Nacional, afirmou Nelson Siffert, superintendente da Área de Infraestrutura do banco de fomento. "O BNDES não tem um orçamento que possa crescer de forma elástica. É fundamental que o mercado de capitais se some ao esforço do banco de financiar infraestrutura e a economia como um todo", disse.

A expectativa é que o mercado de capitais venha a ter um papel mais expressivo, com o BNDES financiando os projetos por meio de debêntures, declarou Siffert. A carteira da área de infraestrutura do banco somava em janeiro 399 projetos, orçados em R$ 362,6 bilhões, dos quais R$ 199,6 bilhões seriam financiados pelo BNDES.

O superintendente estima que os desembolsos do banco para o setor de infraestrutura em 2015 totalizem em torno de R$ 60 bilhões. No ano passado, os desembolsos somaram R$ 68,9 bilhões. São considerados os investimentos em energia, logística, mobilidade urbana, saneamento e parte do Finame (financiamento de máquinas e equipamentos).

"Haverá crescimento na parte de concessões, mas no Finame talvez tenha uma queda, o que fará que estabilize nos R$ 60 bilhões", justificou o executivo.

Somente para logística e energia, o montante liberado deve chegar a R$ 33 bilhões este ano, alta de 11% em relação a 2014: cerca de R$ 19 bilhões para energia e R$ 14 bilhões para logística. No ano anterior, o número de energia foi o mesmo, enquanto o de logística ficou em torno de R$ 11 bilhões.

Lava Jato. Siffert acrescentou que a Operação Lava Jato deve implicar desmobilização de ativos nas construtoras envolvidas, o que criará oportunidades no mercado. O BNDES está preocupado com a perenidade dos projetos, mas os impactos do escândalo de corrupção não devem reduzir ainda mais os desembolsos da instituição neste ano. "Em nossa carteira, apenas um único projeto teve inviabilizada sua continuidade (por causa da Operação Lava Jato)", afirmou Siffert.

Questionado sobre qual foi o projeto, Siffert não quis dar detalhes, mas disse que não se tratava da Sete Brasil. "Era uma operação que o banco não tinha contratado ainda e não avançou. Os demais projetos, onde há acionistas envolvidos na Lava Jato, ou estão concluídos ou, muitas vezes, eles têm uma participação minoritária. A gente observa que muitos desses empresários estão se desfazendo desses ativos", disse Siffert, acrescentando que se tratava de uma concessão.

"O grupo perdeu a posição de risco de crédito, além de ter problemas de compliance. A avaliação de risco de crédito não permitiu a operação avançar."

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