Desembolsos do BNDES têm crescimento modesto

Até outubro, o banco liberou R$ 43,76 bilhões pela Finame, equivalente a aumento de menos de 2% sobre 2010

IRANY TEREZA / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2011 | 03h04

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou, de janeiro a outubro deste ano, R$ 43,76 bilhões por meio de sua principal linha de crédito à aquisição de máquinas e equipamentos de fabricação nacional, a Finame.

O montante, que ainda não foi divulgado oficialmente pelo banco, representa um crescimento modesto, de menos de 2%, em relação aos R$ 42,91bilhões liberados no mesmo período de 2010 e revela o fastio atual da indústria.

Principal financiador dos empreendimentos privados no Brasil, o banco estatal de fomento já trabalha com uma desaceleração dos investimentos para os próximos quatro anos, de quase 2,5 pontos porcentuais.

O crescimento que antes era previsto em 10% ao ano, caiu para 7,6% anuais. "Mas, embora seja de desaceleração, o cenário ainda é positivo, não é de queda", pondera Fernando Puga, economista do BNDES, sustentando que a evolução do investimento ainda representará o dobro do Produto Interno Bruto (PIB).

Ele reconhece que é nítida a deterioração dos planos de investimento em setores como o siderúrgico, embora prefira ressaltar o desempenho de outros segmentos, como o automobilístico e o setor de petróleo.

"Na siderurgia há uma preocupação maior, mas em um conjunto de outros setores há notícias positivas. O plano de investimentos da Petrobrás, por exemplo, é um dos mais robustos do mundo", afirmou.

Esta semana, a direção da Petrobrás informou ter reduzido em 10% a sua previsão de investimentos no ano, originalmente fixada em R$ 84,7 bilhões.

Na temporada de divulgação de balanços do terceiro trimestre do ano, outras empresas, dos mais diversos segmentos, também botaram o pé no freio, apresentando diferentes motivos: Vale, Oi, Fibria, TAM. A lista de reduções é bastante variada.

Apesar disso, a equipe do BNDES está otimista em relação à retomada do crescimento, inclusive por conta do interesse de investidores estrangeiros de olho no desempenho da economia brasileira.

Puga cita os recentes anúncios de investimentos das montadoras de veículos, como Renault, PSA Peugeot Citroën, JAC Motors e Man/Volkswagen para sustentar a tese.

"No meio dessa situação toda, estamos vendo uma onda importante de investimentos vindo para cá, da Coreia, Japão e China. Num mundo em que economias avançadas estão crescendo menos, o Brasil ainda está atraindo capital. É impressionante como recebemos investidores interessados na nossa economia, querendo saber sobre o crescimento brasileiro. Há uma mudança de visão dos investidores estrangeiros, que estão percebendo o Brasil como um país com capacidade diferenciada de reação à crise", diz Puga.

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