REUTERS/Nacho Doce
REUTERS/Nacho Doce

Desembolsos do BNDES têm queda de 10% no acumulado de janeiro a agosto

Presidente da instituição, Dyogo Oliveira também afirmou que empréstimos feitos a Cuba e Venezuela não deveriam ter sido realizados

Vinicius Neder e Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2018 | 11h42

RIO- Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empréstimos já aprovados ainda registram queda de 10% no acumulado do ano até agosto, na comparação com os oito primeiros meses de 2017, afirmou nesta terça-feira, 18, o presidente da instituição de fomento, Dyogo de Oliveira.

Segundo o executivo, as incertezas relacionadas às eleições de outubro têm afetado a demanda por crédito para investimentos. "Com a eleição e todo esse processo de incertezas, há uma repressão. As próprias empresas recolhem um pouco os 'flaps' antes de solicitar o desembolso. Estamos aguardando a solução do processo para ter uma retomada mais forte dos desembolsos", afirmou Oliveira, ao deixar a cerimônia de abertura de um seminário sobre inovação, no Rio.

Apesar da queda nos desembolsos, Oliveira ressaltou que outras fases do processo de pedido de financiamentos ao BNDES têm registrado alta. No caso das consultas, primeira etapa do processo, que normalmente serve de termômetro do apetite por crédito para investimentos, a alta é de 10% no acumulado de janeiro a agosto.

Empréstimos a Cuba e Venezuela

O presidente do banco de fomento também afirmou que está negociando alternativas com o governo de Cuba para que a ilha caribenha retome os pagamentos das parcelas de sua dívida, que hoje somam cerca de US$ 17,5 milhões em atrasos.

Ele lembrou das críticas aos empréstimos do BNDES para obras em países como Cuba e Venezuela. "Olhando hoje, fica claro que eles (países como Cuba e Venezuela) não tinham condições de pagar. Provavelmente, (os empréstimos) não deveriam ter sido feitos, mas agora temos que ir atrás do dinheiro. Temos que buscar receber", disse o presidente do BNDES.

Cuba está em atraso com o pagamento de US$ 17,4 milhões em parcelas vencidas em junho, julho e agosto de sua dívida com o BNDES, informou o banco. Em agosto e neste mês, a ilha caribenha pagou US$ 4 milhões da parcela de junho, em duas operações. Cuba já havia atrasado a parcela de maio, de US$ 6,6 milhões, em duas operações, com atraso de 50 e 60 dias em cada, como revelou o Broadcast na última terça-feira. A dívida de Cuba com o BNDES, que financiou a modernização do Porto de Mariel, obra tocada pela Odebrecht, está em US$ 597 milhões.

As negociações com Cuba, segundo Oliveira, envolvem opções que não passam, necessariamente, por uma reestruturação completa da dívida. "O governo de Cuba tem se mostrado solícito, aberto a buscar soluções. Alega, no entanto, que em virtude de questões climáticas e financeiras não tem condições de honrar totalmente os pagamentos", afirmou Oliveira, ao deixar a cerimônia de abertura de um evento sobre inovação, no Rio.

Apesar das críticas, Oliveira frisou que 90% da carteira de crédito para comércio exterior não está direcionada para esses países. Por causa dos atrasos, o banco de fomento será obrigado a provisionar em seu balanço financeiro valores para fazer frente a eventual calote.

Segundo Oliveira, o provisionamento não preocupa. "Hoje, são cerca de US$ 17,5 milhões em atraso. O volume disso em relação à carteira do banco não é exatamente preocupante, diante de uma carteira de exportações de US$ 10 bilhões", afirmou Oliveira.

BNDES vai selecionar gestor para fundo de investimento em infraestrutura

O BNDES lançou nesta terç-feira, 18, o edital para criação de Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), o novo fundo de investimento em infraestrutura. O documento está liberado para consultas no site da instituição.

Com patrimônio de aproximadamente R$ 500 milhões, o fundo terá um gestor privado, que será escolhido através de chamada pública. As propostas deverão ser protocoladas até o próximo dia 9 de outubro, e o processo seletivo que determinará o gestor deverá ser concluído até novembro, informou o banco, em nota oficial.

O novo fundo investirá em debêntures incentivadas de projetos de infraestrutura, conforme os termos do artigo 3º da Lei 12.431/2011, garantindo benefício fiscal aos investidores pessoa física.

Segundo o banco de fomento, o objetivo é aumentar a base de investidores e incrementar a liquidez de títulos de infraestrutura, além de securitizar parte da carteira do BNDES, vendendo ativos em que a missão institucional do banco já foi concluída.

"A estratégia do BNDES está em linha com o compromisso de desenvolvimento do mercado de capitais de renda fixa e financiamento privado de longo prazo, viabilizando o funding e a implementação dos projetos que reduzem gargalos e geram empregos em infraestrutura", declarou o banco de fomento, em nota oficial.

O FDIC parte de um portfólio pré-existente, com ativos de "boa qualidade de crédito", que atualmente compõem a carteira de debêntures de projeto do BNDES, explicou a nota. "Esse diferencial contribui para a mitigação do risco de originação de ativos e de desenquadramento na Lei 12.431/2011, que proporciona o benefício tributário para os cotistas do fundo", argumentou o banco.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.