Paulo Vitor/Estadão
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Desembolsos do BNDES têm queda de 26% no primeiro trimestre do ano

O banco liberou R$ 11,153 bilhões no primeiro trimestre do ano, recuando em relação ao mesmo período de 2017; indústria puxou queda

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2018 | 19h17

RIO DE JANEIRO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 11,153 bilhões no primeiro trimestre do ano, 26% a menos do que o registrado em igual período de 2017, em termos nominais.

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Em termos reais, descontando a inflação, os desembolsos do banco de fomento tombaram 28% no primeiro trimestre. Apenas em março, o BNDES liberou R$ 4,343 bilhões, queda de 16,2%, quando se desconta a inflação.

As consultas, que apontam o apetite por investimentos, somaram R$ 13,436 bilhões nos três primeiros meses do ano, uma queda nominal de 36%.

Em termos setoriais, a indústria puxou a queda nos valores liberados. O setor industrial recebeu apenas R$ 1,769 bilhão no primeiro trimestre, uma queda de 44% ante igual período de 2017, sem descontar a inflação. Houve quedas também nos desembolsos para agropecuária (de 19%, para R$ 2,718 bilhões) e para comércio e serviços (de 26%, para R$ 2,622 bilhões).

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Os projetos de infraestrutura receberam R$ 4,045 bilhões no primeiro trimestre, uma queda nominal de 20% ante os três primeiros meses de 2017. Ainda assim, o setor respondeu pela maior fatia (36%) do total desembolsado no primeiro trimestre.

"O destaque em Infraestrutura, com R$ 1,7 bilhão em liberações, foi o segmento de energia elétrica, sobretudo os investimentos em parques eólicos no Nordeste - região que recebeu R$ 2 bilhões no trimestre e R$ 13,6 bilhões nos últimos 12 meses encerrados em março, com crescimento de 15% na comparação com os 12 meses anteriores", diz nota divulgada nesta terça-feira, 24, pelo BNDES.

Os financiamentos para bens de capital, operados de forma automática na linha Finame, desembolsaram R$ 3,496 bilhões no primeiro trimestre, queda nominal de 14% ante igual período de 2017. Nem mesmo a linha de capital de giro, que ainda registra alta expressiva nas liberações acumuladas em 12 meses, se salvou no primeiro trimestre: o R$ 1,283 bilhão liberado ficou 27% abaixo do registrado nos três primeiros meses do ano passado, sem descontar a inflação.

O único dado positivo do desempenho econômico-financeiro do BNDES no primeiro semestre foram as aprovações de novos empréstimos. O banco de fomento aprovou R$ 16 bilhões em novos financiamentos. O destaque foi o setor de infraestrutura, com R$ 6,604 bilhões, alta nominal de 46% na comparação com o primeiro trimestre de 2017. Segundo a nota divulgada pelo banco, "o crescimento das aprovações do BNDES no trimestre foi puxado pelo setor de infraestrutura, que respondeu por 41%" do total aprovado.

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