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Desempenho de SP desde 1995 é muito pior que o do País

Renda da região metropolitana caiu 6%, e no Brasil subiu 13%; mesmo contraste se repete com a pobreza

Fernando Dantas, O Estadao de S.Paulo

25 de setembro de 2007 | 00h00

A região metropolitana de São Paulo vive uma crise de grandes proporções desde o Plano Real, segundo dados apresentados pelo economista André Urani, em debate na quinta-feira no Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC), em São Paulo. Baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), ele constatou que, de 1995 a 2006, a renda média familiar per capita na região metropolitana de São Paulo caiu 6%, a pobreza cresceu 19,4% e a extrema pobreza aumentou 2,8%.Esses números contrastam fortemente com os do Brasil como um todo no mesmo período, que mostram que a renda cresceu 13,4%, a pobreza caiu 25,8%, e a extrema pobreza sofreu a grande redução de 62%.''''É preciso que São Paulo assuma a dimensão da sua crise, para que se possa pensar soluções e caminhar para a frente'''', disse Urani. Na verdade, segundo o economista, a região metropolitana de São Paulo, composta por 40 municípios (incluindo a capital), está passando por um processo de convergência em relação ao resto do País. Ela ainda é melhor do que o Brasil nos indicadores de renda e pobreza, mas a diferença era muito maior em 1995.Em 1995, em valores atualizados pela inflação, o conglomerado metropolitano paulista tinha uma renda per capita familiar média de R$ 877, ou 71% acima da brasileira, que era de R$ 511. Em 2006, essa diferença caiu para 42%, com uma renda média de R$ 824 em São Paulo, e de R$ 580 no País como um todo.Em relação à pobreza, em 1995 o índice da região metropolitana de São Paulo era de 14,1%, apenas 41,4% do índice brasileiro de 33,92%. Em 2006, a pobreza na maior aglomeração urbana do País tinha subido para 16,71%, ou 66% do índice de 25,16% do Brasil. No caso da extrema pobreza, uma parcela de 4,6% da população da região metropolitana encaixava-se nessa categoria em 1995, o que equivalia a 32% da proporção de 14,6% dos brasileiros que estavam na mesma situação. Em 2006, os extremamente pobres na megalópole paulista eram 4,76%, ou 53% do índice para o Brasil como um todo, que ficou em 8,9%.A linha de pobreza utilizada pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), onde Urani trabalha, é a mesma do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e equivale a uma renda familiar per capita de R$ 167. A linha de extrema pobreza é de R$ 83. São considerados pobres ou extremamente pobres as pessoas com rendimento até essas linhas. O contingente de pobres inclui o de extremamente pobres.Quando se examina a desigualdade, o mesmo fenômeno se repete. A região metropolitana de São Paulo tinha em 1995, com um índice de Gini de 0,544, uma situação bem melhor do que a do Brasil, para o qual o Gini era de 0,601. O índice de Gini mede a desigualdade e, variando de 0 a 1, mostra piores distribuições à medida que cresce. Em 2006, o Gini do conglomerado paulista era 0,543, praticamente não tendo se mexido em relação a 1995. No caso do Brasil como um todo, porém, o índice caiu para 0,564. Assim, enquanto em 1995 o Gini de São Paulo era 0,06 ponto porcentual inferior ao do Brasil, em 2006 a diferença tinha se reduzido para apenas 0,02.Para Urani, a piora da megalópole paulista era previsível, por causa do processo de abertura comercial da economia brasileira nos anos 90. ''''Com a competição de outras partes do mundo, as indústrias, que antes permaneciam nas maiores metrópoles pelas vantagens trazidas pela aglomeração, começaram a fugir dos altos custos de salário, sindicatos, segurança, etc.'''', comentou o economista. Ele observou que regiões metropolitanas como as do Rio e São Paulo (e principalmente a segunda) foram as maiores perdedoras do ciclo de mudanças econômicas dos anos 90. Dessa forma, com sua grande capacidade de influenciar a agenda nacional, tornaram-se pólos de resistência às reformas. ''''Desatar o nó de São Paulo é importante para o Brasil'''', disse Urani.Durante o debate no Instituto Fernando Henrique Cardoso, alguns sinais positivos para São Paulo foram apontados pelo economista José Guilherme dos Reis, do Banco Mundial. Ele mostrou que os indicadores fiscais da capital melhoraram de forma surpreendentemente rápida nos últimos dois anos. A proporção entre a dívida consolidada do município e a receita corrente líquida anual caiu de mais de 250% em, em 2005, para cerca de 180% em 2007, e aproximou-se da trajetória de queda fixada por resolução do Senado, vinculada à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que determina que o indicador caia para 120% em 2015. Uma das implicações dessa queda rápida é que o município poderá voltar a tomar financiamentos mais cedo do que se previa.Além da recuperação fiscal, foi discutido no encontro - ao qual esteve presente o ex-presidente Fernando Henrique e o candidato tucano derrotado nas últimas eleições, Geraldo Alckmin - o potencial de São Paulo na chamada economia criativa, que envolve áreas como publicidade, arquitetura, design, moda, música e software, entre muitas outras. Para a economista Lídia Goldenstein, uma das debatedoras, São Paulo tem que desenvolver o seu potencial como principal porta de entrada e de saída do País em relação à economia global.

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