Desempenho do PIB do Brasil se afasta dos "Brics"

O fraco desempenho do PIB brasileiro no primeiro semestre afasta ainda mais a performance do País com relação aos demais integrantes do grupo que ficou conhecido como BRICs e que também inclui, pela ordem da sigla, Rússia, Índia e China. Comparado a outros países da América Latina, caso o Brasil cresça perto de 3% esse ano, como já se especula no mercado, será o penúltimo de um grupo de 18 que tiveram o desempenho estimado pelo FMI para 2006.O País empresta a primeira letra do nome do BRICs está vem jogando para baixo a média de crescimento do grupo. Entre 2001 e 2005, os quatro países cresceram 6,1% em média ao ano, taxa que sobe para 7,3% excluindo os resultados brasileiros, conforme levantamento feito pela Austing Rating. Os dados do primeiro semestre do ano e as projeções feitas por entidades como o FMI indicam que isso deverá se repetir esse ano.Enquanto o Brasil registrou avanço de 2,2% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre desse ano, a economia chinesa avançou 10,9%. Levantamento de dados feito pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) mostra estimativas para crescimento do PIB da Índia em 8,4% e da Rússia, 6% no semestre. Nas projeções para o ano feitas pelo FMI, os demais integrantes do grupo também deverão avançar.As estimativas do FMI indicam que a China poderá crescer 9,5% este ano, Índia 7,35 e Rússia 6%. Os resultados da economia chinesa ao longo dos primeiros seis meses do ano já levaram analistas de mercado a cogitar elevar as projeções de crescimento para o ano. No caso brasileiro, a divulgação ontem do PIB trouxe preocupações se o País conseguira avançar os 3,5% esperados pelo mercado e elevou apostas para um crescimento mais perto de 3%.Caso o País avance 3,5% este ano, ficaria na 14ª colocação dentre 18 países latino-americanos, que tiveram seus crescimentos estimados pelo FMI para 2006. Se o Brasil avançar 3%, seria o penúltimo colocado no ranking, liderado pela Argentina (projeção de crescimento de 7,3%), Venezuela (6%), e Chile (5,5%). O coordenador do Grupo de Conjuntura do Instituto de Economia da UFRJ, Antonio Licha, diz que os países emergentes crescerão 6,5% este ano e o mundo, 4,9%.O economista argumenta que os outros países do BRICs têm taxas de investimentos altas, acima de 30% do PIB, que superam a brasileira, que tem oscilado nos últimos anos entre 18% e 20%. De forma simplificada, estes países apresentam elevada taxa de poupança, consomem menos, o câmbio é mais alto, exportam mais e investem mais. "Eles conseguem ter nível de exportação muito alto, são liderados pela demanda externa, mas em contrapartida tem de ter um consumo interno baixo. Isso é um estilo de desenvolvimento", explica Licha.

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