Desempenho do sistema de transmissão piorou

O sistema de transmissão brasileiro pode não ser tão seguro como o governo tem afirmado nos últimos anos. De acordo com relatório da consultoria PSR, o desempenho do sistema nacional tem piorado ano após ano e, atualmente, é considerado insatisfatório.

O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2014 | 02h02

Cruzando informações como o volume de energia não fornecido ao sistema interligado no ano com a carga máxima de demanda, fornecidas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a PSR encontrou o Índice de Severidade do Sistema (ISS). Esse indicador mostra o tempo de interrupção de energia no sistema.

Em 2010, o índice ficou próximo de 20 minutos (é como se todo o sistema nacional tivesse sido apagado por 20 minutos); em 2011, próximo de 40 minutos; e em 2012 superou 50 minutos. Em 2013, embora o relatório não apresente o indicador, a expectativa é que o índice seja ainda pior, já que o número de blecautes aumentou.

Subestação. Segundo a PSR, ao contrário do que se imagina, os problemas da transmissão não são decorrentes dos atrasos na construção de novas linhas nem a opção do País pelo critério de segurança N-1 (ou seja, o sistema resiste a falhas de um circuito de transmissão, mas pode ser vulnerável à falha simultânea de dois circuitos). A consultoria analisou, com detalhes, os relatórios do ONS sobre os dez grandes blecautes ocorridos entre agosto de 2012 e setembro de 2013.

O resultado é que 9 dos 10 apagões foram provocados por falhas em subestações, decorrentes de problemas de manutenção e erros de operação. O outro blecaute, que interrompeu o fornecimento de energia no Nordeste, poderia ter sido evitado se houvesse um monitoramente em tempo real de queimadas.

O recado dado pelo relatório é que não adianta reforçar o sistema nacional se não houve manutenção e treinamento adequados nas subestações - uma parte vital do sistema. O problema é que hoje o ONS não tem mandato para fiscalizar o sistema de transmissão. Trata-se de uma responsabilidade da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que não tem pessoal suficiente para fazer uma fiscalização eficiente.

Na avaliação do Ministério de Minas e Energia, o sistema de transmissão é dimensionado considerando um cenário conservador de carga em cada subsistema (correspondente à carga máxima não coincidente entre os subsistemas).

"Assim como na geração, garante um nível de segurança mesmo em caso de eventuais atrasos de obras. Atualmente, o País tem mais de 116 mil quilômetros de linhas em operação, e cerca de 40 mil desse total foram instalados nos últimos 11 anos." /R.P.

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