Desempenho supera o das principais economias

Em relação ao último trimestre de 2008, situação do Brasil é melhor quando comparada a países como França, EUA, Alemanha e Japão

Andrea Vialli, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 00h00

O Brasil não cresceu tanto como a China e a Índia no início de 2009, mas não chegou a registrar tombo semelhante ao verificado nas economias desenvolvidas no mesmo período. Em comparação ao primeiro trimestre do ano passado, a queda de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil nos primeiros três meses de 2009 mostra um desempenho pior do que o registrado na China (+6,1%), Índia (+5,8%), Polônia (+1,9%), Austrália (+0,4%) e Noruega (-0,3%). Entre os Brics, o resultado brasileiro só não foi pior que o da Rússia, cujo tombo foi de 9,5% no primeiro trimestre de 2009, em comparação ao mesmo período do ano passado. Os dados foram compilados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao último trimestre de 2008, a queda de 0,8% do PIB brasileiro só foi pior do que os resultados apurados na Polônia e Austrália (+0,4%), Coreia do Sul (+0,1%) e Noruega (-0,4%). O Brasil ficou empatado com a Suíça (-0,8%) e em melhor situação quando comparado a países como França (-1,2%), Estados Unidos (-1,5%), Alemanha (-3,8%) e Japão (-4,0%). Os dados referentes a China e Índia no quarto trimestre de 2008 não estão disponíveis."O Brasil está no meio do caminho. E isso não é necessariamente ruim", afirma o economista Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios. Segundo ele, o PIB brasileiro não pode ser comparado ao de países como China e Índia, que estão em outro estágio de desenvolvimento. "O Brasil já passou pela maioria das etapas que esses países estão passando, como a transição da economia rural para a urbana, a democratização, o controle da inflação", afirma Leite.Em termos comparativos, a China chegou a sentir o baque da crise econômica de forma proporcional ao Brasil. "Até meados do ano passado, a China vinha crescendo 12% ao ano, e deve fechar 2009 com 7% de crescimento. O Brasil vinha a 5% e devemos chegar a zero. Não estamos em situação pior."RAPIDEZNo entanto, a China mostrou maior agilidade no enfrentamento da crise, o que sustentou parte do seu desempenho. "Em novembro, o país anunciou um pacote de quase US$ 600 bilhões em investimentos em infraestrutura. Além disso, eles baixaram os juros e tomaram medidas fiscais, o que trouxe reflexos imediatos", afirma Filipe Albert, economista da Tendências Consultoria. "Mas o Brasil está bem posicionado. O tombo esperado era de 2% nesse trimestre. Veio 0,8%."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.