Desemprego abaixo de nível neutro é fator de risco à inflação, avalia Banco WestLB

O estrategista-chefe do banco, Roberto Padovani, disse que as taxas mensais com o comportamento atual se configuram como um dos fatores ainda importantes de risco para a inflação

Flavio Leonel, da Agência Estado,

22 de julho de 2010 | 18h16

O estrategista-chefe do Banco WestLB, Roberto Padovani, disse que a taxa de desemprego observada em junho, de 7%, é um número positivo para a economia, mas que ficou abaixo do que é considerado por ele como um nível neutro, em torno de 7,5%. Em entrevista à Agência Estado, ele afirmou que taxas mensais com o comportamento atual se configuram como um dos fatores ainda importantes de risco para a inflação, que é o foco central da política monetária do Banco Central.

"Uma taxa de 7% sugere um mercado de trabalho bem apertado e a consequência que temos quando o desemprego está abaixo da taxa de equilíbrio no longo prazo é o aumento de salários, que tem implicações de custo para as empresas e é também uma fonte de aumento de renda", avaliou Padovani. "Com a renda do consumidor aquecida numa ponta e mais o aumento de custo pelo lado das empresas, a leitura é de que, ainda que seja uma informação de apenas um mês, o mercado de trabalho dá sinais de estar apertado e, portanto, isso é uma fonte de preocupação com relação ao comportamento da inflação", acrescentou.

A taxa de desemprego de junho divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou exatamente no piso das estimativas dos economistas consultados pelo AE Projeções, já que eles aguardam um número de 7% a 7,8%. Padovani, que não participou do levantamento, projetava uma taxa de 7,6% e citou a diminuição da População Economicamente Ativa (PEA) em junho como fator decisivo para a diferença entre sua previsão e o resultado efetivo.

Questionado se o dado divulgado hoje poderia significar que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central teria sido precipitado ontem em diminuir a dose de aumento na taxa básica de juros, o estrategista-chefe do WestLB respondeu que, apesar do risco mencionado com a taxa de desemprego acima do nível neutro, há outros fatores do cenário macroeconômico que atuam de maneira contrária. "É um fator que acende a luz amarela em relação à inflação, mas há outros que mantêm este risco sob controle", ressaltou, citando, como maior exemplo, o retorno do crescimento da economia nacional a níveis mais próximos do potencial.

Quanto à tendência do desemprego para os próximos meses, Padovani disse que trabalha com estimativas de taxas mensais entre 7% e 7,5% para o decorrer do terceiro trimestre. Para os últimos três meses de 2010, ele aguarda resultados abaixo de 7%. Com este cenário positivo para o emprego, o estrategista do WestLB projeta uma taxa média de desemprego de 7,2% para o ano de 2010 e outra de 6,8% para 2011, inferiores à de 8,1% de 2009.

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