Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Desemprego recua para 10,5% em abril, menor taxa desde fevereiro de 2016

Renda média caiu 7,9% na comparação anual, apontam dados da Pnad Contínua

Daniela Amorim, Cícero Cotrim e Guilherme Bianchini, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2022 | 09h05

RIO E SÃO PAULO - O mercado de trabalho manteve a tendência de redução na taxa de desemprego em abril, puxada por um processo contínuo de geração de vagas, provavelmente influenciado pela melhora na atividade econômica e no cenário de pandemia de covid-19, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Alguns economistas já mencionam um possível retorno do desemprego ao patamar de um dígito ainda em 2022, após mais de seis anos rodando acima dos 10%. No entanto, especialistas alertam que o segundo semestre deve ser mais difícil para o mercado de trabalho.

desemprego no Brasil recuou de 11,1% no trimestre terminado em março para 10,5% no encerrado em abril, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta terça-feira, 31, pelo IBGE.

O resultado foi o mais baixo desde fevereiro de 2016, quando estava em 10,3%, surpreendendo até os analistas mais otimistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, que estimavam uma taxa de desemprego entre 10,7% e 11,2%, com mediana de 11%.

Em igual período de 2021, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 14,8%. No trimestre encerrado em março de 2022, a taxa de desocupação estava em 11,1%.

Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, o recuo registrado em abril aumenta a chance do retorno a uma taxa de um  dígito ainda neste ano. Segundo ele, a intensidade da redução da desocupação, de 11,1% para 10,5%, é atípica para esta época do ano.

“É um começo de ano forte que estamos vendo, de retomada mais efetiva depois da pandemia, com serviços em recuperação mais intensa e aumento significativo na contratação em quase todos os setores”, afirma. “É um sinal positivo, mas fica a dúvida se é sustentável. Tem o efeito da inflação e dos juros lá fora e aqui dentro no segundo semestre.”

 

“O resultado foi ótimo, com recorde de população ocupada na série histórica. Os salários seguem comprimidos, mas têm desenhado uma melhora na margem, ainda que pequena”, disse Vilarim. “Essa divulgação conversa com um PIB  mais forte no primeiro semestre, com altas de 1,5% no primeiro trimestre e de 0,5% no segundo”, previu.

População ocupada é recorde

Em apenas um trimestre, o mercado de trabalho registrou uma abertura de 1,083 milhão de vagas - cerca de 80% delas na formalidade - para um montante recorde de 96,512 milhões de pessoas trabalhando. O total de desempregados encolheu em 699 mil pessoas, embora ainda haja 11,349 milhões de brasileiros procurando trabalho.

Os números refletem o forte desempenho da atividade econômica no primeiro trimestre, mas não indicam uma tendência para o ano, alertou Carlos Pedroso, economista chefe do banco Mufg Brasil.

"Esperamos uma economia mais fraca no segundo semestre, em função do aperto monetário que o Banco Central vem realizando. Neste sentido, mantemos a expectativa de um desemprego em torno de 11% no fim de 2022", afirmou Pedroso.

O economista do MUFG Brasil reforça que os resultados da Pnad Contínua de abril ainda mostram um quadro desafiador para o mercado de trabalho, com 4,451 milhões de desalentados e taxa de informalidade elevada, de 40,1%.

“A melhora recente no mercado de trabalho brasileiro, contudo, é fruto de uma volta à normalidade debilitada do período pré-pandemia, e não uma mudança em sua dinâmica, mantendo-se o quadro desafiador de elevada ociosidade”, frisou Lucas Assis, analista da Tendências Consultoria Integrada, em nota.

Renda média 

A renda média do trabalho ficou praticamente estagnada no trimestre terminado em abril, em R$ 2.569. O valor é 7,9% inferior ao que os trabalhadores recebiam um ano antes.

Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, é possível que a queda nos salários individuais esteja motivando que mais pessoas na família busquem trabalho para recompor a renda domiciliar perdida.

“Embora essa população ocupada seja recorde, o nível da ocupação não é”, alertou Beringuy. “É importante ter em mente essa perspectiva com relação a esses indicadores”, disse ela.

O nível da ocupação, que mostra a proporção de pessoas trabalhando na população em idade de trabalhar, subiu a 55,8% no trimestre encerrado em abril, mas já alcançou um pico de 58,5% ao fim de 2013. Ou seja, a população ocupada é recorde, mas cresceu aquém da população em idade de trabalhar.

“É um indicativo que a gente tenha taxa de desocupação alta e contingente importante de desocupados”, disse Beringuy. “Temos contingente expressivo de pessoas ocupadas, o nível da ocupação vem aumentando, mas ainda está distante do que era mais para trás, ainda temos uma população desocupada de mais de 11 milhões de pessoas”, frisou Beringuy.

No trimestre terminado em abril, ainda faltava trabalho para 26,096 milhões de pessoas no País, considerando toda a população subutilizada.

 

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