Marcos Santos/USP Imagens
Marcos Santos/USP Imagens

Taxa de desemprego acelera e chega a dois dígitos em fevereiro

Segundo a PNAD Contínua, do IBGE, taxa fechou em 10,2% o trimestre encerrado em fevereiro, o maior patamar desde o início da pesquisa, em 2012; renda média real caiu 3,9%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2016 | 09h08

Se 2015 foi o ano de a inflação bater os dois dígitos, agora é a vez de o desemprego atingir tal marca. A taxa de desemprego no Brasil ficou em 10,2% no trimestre encerrado em fevereiro, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a maior taxa registrada desde o início da pesquisa, em janeiro de 2012.

Anteriormente à PNAD Contínua, o desemprego era medido pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrange menos cidades. Por esta metodologia, a última vez que o desemprego chegou a dois dígitos foi em maio de 2007, quando também ficou em 10,2%.

O resultado de fevereiro representa uma aceleração, visto que no trimestre encerrado em novembro havia sido de 9%. Também foi maior do que o verificado no mesmo trimestre de 2015 (7,4%).

A população desocupada no País atingiu o montante recorde de 10,371 milhões de pessoas, um crescimento de 40,1% em relação ao trimestre encerrado em fevereiro de 2015, o equivalente a mais 2,97 milhões de brasileiros nessa condição, maior alta em termos absolutos.

"Não foi a variação porcentual mais alta da série. Mas quando você compara com o mesmo período do ano anterior, a pesquisa tem crescimento expressivo na desocupação", disse Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Além do aumento do desemprego, o trabalhador, em geral, ganhou menos. A renda média real do trabalhador foi de R$ 1.934, o que representa uma queda de 3,9% no trimestre de fevereiro frente ao mesmo trimestre do ano anterior. 

A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 171,3 bilhões no trimestre até fevereiro, queda de 4,7% ante igual período do ano anterior. Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação em bases trimestrais para todo o território nacional. A nova pesquisa substitui a PME, que abrangia apenas as seis principais regiões metropolitanas, e também a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) anual, que produz informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano. 

Postos de trabalho. O País registrou um corte de 1,172 milhão de postos de trabalho no período de um ano. A população ocupada ficou em 91,134 milhões de pessoas no trimestre encerrado em fevereiro de 2016, recuo de 1,3% ante o trimestre encerrado em fevereiro do ano passado. Após sucessivos cortes de vagas, a população ocupada volta ao patamar de meados de 2013, ressalta o coordenador do IBGE.

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
'Várias pessoas perderam emprego. Além dos trabalhadores que foram contratados temporariamente, o corte foi adiante. Pessoas que estavam efetivamente empregadas perderam o trabalho' - Cimar Azeredor, coordenador do IBGE
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
"A queda na população ocupada foi extremamente agressiva. Várias pessoas perderam emprego. Além dos trabalhadores que foram contratados temporariamente, o corte foi adiante. Pessoas que estavam efetivamente empregadas perderam o trabalho", apontou Azeredo.

Ao mesmo tempo, a população em idade de trabalhar aumentou 1% em um ano, 1,625 milhões de indivíduos a mais. Já o total de inativos diminuiu 0,3%, 174 mil pessoas a menos nessa condição.

"Há um crescimento demográfico da população. A população cresce. É esperado que emprego cresça acima da população, se a situação econômica for favorável. Mas o que acontece aqui é que a geração de emprego não é suficiente, pelo contrário, não absorve essas pessoas", disse Azeredo. 

Trabalho informal. Além de registrar diminuição no total de vagas, o mercado de trabalho também apresenta uma redução na qualidade do emprego que permanece. O trabalho por conta própria cresceu 7% no trimestre encerrado em fevereiro, ante o mesmo período do ano anterior.

O montante equivale a 1,522 milhão de trabalhadores a mais nessa condição. O trabalho por conta própria pode ser formal ou não, mas é usado como um indicativo da informalidade, por abrigar muitos trabalhadores em atividades precárias, com baixo rendimento e nenhuma formalização. "A maioria expressiva (de trabalhadores por conta própria) está voltada para a informalidade", afirmou Azeredo.

Embora tenha recuado a proporção de trabalhadores sem vínculo formal no setor privado, a informalidade cresce através do trabalho por conta própria. O total de trabalhadores sem carteira no setor privado passou de 11,1% da população ocupada em fevereiro de 2015 para 10,7% em fevereiro de 2016. Já o total de trabalhadores por conta própria aumentou sua representatividade de 23,6% para 25,6% no mesmo período.

"A qualidade do emprego que permanece está sendo também afetada", declarou Azeredo. "Essa proxy é bastante expressiva para mostrar que o que está acontecendo no mercado de trabalho hoje é uma informalização", acrescentou. 

Tudo o que sabemos sobre:
BrasilPnadIbgeDesemprego

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.