Susana Vera/Reuters
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Desemprego alto derruba natalidade na Espanha

Taxa caiu 18% desde o início da crise econômica

O Estado de S. Paulo

04 de janeiro de 2015 | 08h26

BARCELONA - Com uma taxa de desemprego que afeta metade dos jovens, a Espanha registra uma mudança profunda em suas famílias. Desde 2008, quando a crise começou, a taxa de natalidade do país foi reduzida em 18%. 

Casais que sofreram a redução de salários também foram afetados pelo fim dos benefícios sociais que o governo dava para cada filho nascido. Em 2007, o Estado estabeleceu um apoio de A 2,5 mil a cada família para aumentar a renda nos primeiros meses de vida do novo integrante. 

Porém, a assistência desapareceu com os cortes de gastos em 2011 e, logo depois, foram os salários que desabaram. Hoje, uma família espanhola recebe apenas A 49 por mês em assistência social para cada filho, ante mais de A 300 na Alemanha. 


Sem apoio do governo e diante de uma crise que não tem data para acabar, os planos de gravidez foram postergados. “Não há como pensar em ter filhos se não sabemos nem se vamos ter emprego”, disse Maria Gimenez, gerente de projetos em uma empresa de publicidade. Com 28 anos, ela confessa que está esperando “melhores dias” para ficar grávida. 

Em 2013, apenas 425 mil crianças nasceram na Espanha, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE). Em 2008, 519 mil tinham nascido no país, 94 mil a mais. Apenas entre 2012 e 2013, a redução foi de quase 7%. Como resultado, o crescimento vegetativo da população espanhola – a diferença entre nascimentos e mortes – foi reduzido em 30% e hoje está em seu nível mais baixo desde 2000. 

Parte da queda da taxa de natalidade é uma tendência mais geral da sociedade europeia. Mas, no caso da Espanha, a redução acentuada é explicada pelo desemprego. “Para cada aumento de 1% da taxa de pessoas sem trabalho, a taxa de natalidade cai em 0,1%”, indicou um estudo do Instituto Max Planck. 

Outra constatação é de que as mães espanholas são cada vez mais velhas. A idade média para a primeira gravidez chega a 32,2 anos, ante 31,6 em 2012. Entre as mães estrangeiras – muitas delas imigrantes econômicas –, a taxa de natalidade também caiu. “Existe uma relação direta com a crise”, disse Nelson Restrepo, presidente da Federação Estatal de Associações de Imigrantes. “A crise afetou os imigrantes. Muitos estão sem trabalho ou ganhando salários muito baixo e isso influencia em todo o planejamento familiar.”

Para o INE, se a crise demográfica for mantida, existe um risco de que, em dez anos, a população espanhola seja 5,6% inferior aos números de 2013.  J.C.

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