Desemprego atinge classes A e B

Combinado com a queda dos salários, deteriorou renda

, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

Tanto o nível do salário quanto o aumento do desemprego afetaram a renda média das classes A e B nos quatro primeiros meses do ano. O estudo de Marcelo Neri, da FGV, decompõe a mudança na renda entre os componentes salário e ocupação. Isto é, como se trata da renda média de todo o grupo, tanto a mudança do salário médio como do número de empregados afetam o resultado.De janeiro a abril, a queda real dos salários das classes A e B foi de 3,7%, dividida entre 3,52% de redução dos salários por hora trabalhada e de 0,18% de diminuição das horas trabalhadas. Já a queda nos rendimentos por causa da menor ocupação foi de 5,3%. Isso ocorreu tanto pelo crescimento do desemprego, de 4% para 7,3%, quanto pelo aumento das pessoas em idade de trabalhar, mas que não buscam emprego - que tecnicamente são desocupadas, mas não desempregadas -, de 16,7% para 18,2%. É a combinação dos efeitos do salário e da ocupação que dá a redução de 8,7% na renda do trabalho das classes A e B, de janeiro a abril. Durante todo o ano de 2008, a queda salarial das classes A e B foi de 2,7%, e a redução de renda média por causa do aumento das pessoas desempregadas ou fora da força de trabalho foi de 4,4%. O efeito combinado foi uma redução de 7,1% na renda do trabalho.Na classe C, de janeiro a abril, houve aumento de 6,8% nos ganhos salariais, composto pelo crescimento de 7,2% do rendimento por hora trabalhada e pela redução de 0,44% nas horas trabalhadas. Já na ocupação, houve um efeito negativo no rendimento médio da classe C, nos quatro primeiros meses do ano, de 2,7%, com aumento do desemprego de 7,4% para 9%. Para as pessoas em idade de trabalhar, mas que não buscam emprego, o aumento foi de 23,4% para 24,1%. O efeito conjunto dos ganhos salariais e da queda da ocupação foi o aumento de 3,9% na renda do trabalho.Em 2008, houve um aumento salarial médio na classe C de 7,6% e uma queda na ocupação de 1,3%, que se combinaram para produzir um aumento na renda do trabalho de 6,12%. Neri nota que, apesar de sair de um nível mais alto, o desemprego na classe C teve um aumento bem menor do que o das classes A e B nos primeiros quatro meses de 2009.

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