Nilton Fukuda/Estadão
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Desemprego aumenta em 12 Estados no 1º trimestre, aponta IBGE

Em São Paulo, taxa passou de 11,5% no quarto trimestre de 2019 para 12,2% de janeiro a março; ainda não é possível relacionar o coronavírus ao resultado negativo

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2020 | 11h43
Atualizado 15 de maio de 2020 | 16h27

RIO - O Estado de São Paulo registrou fechamento de mais de meio milhão de postos de trabalho apenas no primeiro trimestre deste ano. A população ocupada encolheu 2,3%, o equivalente a 515 mil empregos a menos em relação ao trimestre encerrado em dezembro de 2019, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). nesta sexta-feira, 15. 

A taxa de desemprego local subiu de 11,5% no último trimestre do ano passado para 12,2% no primeiro trimestre deste ano. O resultado só não foi pior porque 574 mil pessoas aderiram à inatividade.

  

Entre as vagas extintas no primeiro trimestre, 177 mil delas eram com carteira assinada no setor privado, e, ao mesmo tempo, outros 153 mil trabalhadores domésticos perderam o emprego em São Paulo.

O movimento foi semelhante no restante do País. A taxa de desocupação aumentou em 26 das 27 Unidades da Federação na passagem do quarto trimestre de 2019 para o primeiro trimestre de 2020, embora o avanço tenha sido estatisticamente significativo – ou seja, acima da margem de erro da pesquisa – em apenas 12 delas. 

No primeiro trimestre de 2020, o País tinha 3,1 milhões de pessoas em busca de emprego por dois anos ou mais, 200 mil pessoas a mais que no trimestre encerrado em dezembro. Mas aumentou o desemprego de curto prazo, um milhão de pessoas a mais buscando uma vaga a menos de um ano, sendo 400 mil delas desempregadas há menos de um mês.

"Houve uma tendência de crescimento nas pessoas que procuram emprego há menos tempo", apontou Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Informalidade

A taxa de informalidade recuou em todas as grande regiões do País no primeiro trimestre do ano, em relação ao quarto trimestre de 2019. No entanto, o resultado não foi consequência de uma melhora na qualidade do emprego, mas sim da perda de ocupação dos trabalhadores que atuavam na informalidade, afirmou Adriana Beringuy.

A taxa de informalidade para o Brasil ficou em 39,9%, abrangendo 36,8 milhões de trabalhadores ocupados. Entre as unidades da federação, as maiores taxas de informalidade foram as do Pará (61,4%) e do Maranhão (61,2%). Em São Paulo, a taxa de informalidade média foi de 30,5% no primeiro trimestre do ano.

“A informalidade diminui nesse caso não porque existam hoje muito mais trabalhadores com carteira, é porque esses trabalhadores (informais) perderam a ocupação que tinham, não mudaram de trabalho informal para formal”, justificou Adriana.

A pesquisadora do IBGE evitou relacionar a redução na informalidade com o impacto da pandemia do novo coronavírus no mercado de trabalho, uma vez que as medidas de isolamento social se concentraram nos últimos 15 dias de março, enquanto a pesquisa se refere ao primeiro trimestre inteiro. No entanto, alguns itens da pesquisa já sinalizam as consequências da covid-19 sobre a perda de emprego no período pesquisado.

“O que chamou atenção é que grupamentos de atividades que não costumam cair no primeiro trimestre, que é alojamento e alimentação e outros serviços, que são aqueles prestados às famílias, tiveram retração na ocupação. Foram atividades que tiveram redução atípica da ocupação no primeiro trimestre”, reconheceu Adriana. “A Pnad mostra o começo do impacto extraordinário por conta do início do isolamento social. O impacto maior a gente vai ver quando tiver os dados de abril”, explicou a pesquisadora.

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