DARIO OLIVEIRA/CÓDIGO19
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Desemprego cai, mas tem maior taxa para novembro desde 2008

Taxa recuou de 7,9% para 7,5% na comparação mensal, a primeira queda em dez meses; rendimento médio, no entanto, encolheu

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

17 de dezembro de 2015 | 09h08

Texto atualizado às 12h30

RIO - A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 7,5% em novembro, ante 7,9% em outubro. Apesar da queda, a primeira em dez meses, a taxa é a mais elevada para novembro desde 2008. 

O resultado ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de 7,40% a 8,40%, mas abaixo da mediana de 8,00%.

"Ainda que pequena, houve geração de ocupação em novembro", afirmou Adriana Beringuy, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE. "Está havendo uma geração de ocupação que absorve essas pessoas, ou elas interrompem a busca (por trabalho). O desalento não cresce", acrescentou. 

Em novembro, o comércio não registrou geração significativa de postos de trabalho, o que pode indicar uma expectativa de crescimento menor nas vendas ou contratação de trabalhadores temporários apenas em dezembro. 

Os jovens puxaram a queda na taxa de desemprego no País em novembro. Embora a desocupação seja maior entre a população jovem, a taxa de desemprego para a faixa etária de 18 a 24 anos de idade recuou de 19,5% em outubro para 18% em novembro. O resultado é um indício de que houve reflexo do movimento sazonal de abertura de vagas de trabalho temporárias, avaliou o IBGE. "Foi justamente entre esses jovens que a ocupação mais expandiu no mês, o que pode estar relacionado ao fato de que esse grupo pode estar mais inserido nos trabalhos temporários no comércio", disse Adriana.

Em novembro ante outubro, a fila do desemprego teve uma redução de 4,2% ou 80 mil pessoas a menos. Quanto ao total de ocupados, houve crescimento de 0,3%, o equivalente a 72 mil postos de trabalho a mais. Mas na comparação com o mesmo mês de 2014, a situação é preocupante: alta de 53,8% na população desocupada ou 642 mil pessoas a mais em busca de uma vaga.

O rendimento médio real dos trabalhadores foi estimado em R$ 2.177,20, o menor valor para novembro desde 2011, segundo o IBGE. Trata-se de uma queda de 1,3% ante outubro e de 8,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Esse recuo anual é o mais acentuado desde dezembro de 2003.

Houve redução em todas as atividades pesquisadas, com destaque para a perda na renda dos trabalhadores da indústria: -12,5%. Em seguida ficaram os serviços prestados a empresas (-12,1%) e construção (-11,9%).

Já a massa de renda real habitual dos ocupados no País somou R$ 49,7 bilhões em novembro, queda de 0,9% em relação a outubro e de 12,2% ante o mesmo mês de 2014.

Setores. A indústria foi o setor que mais dispensou trabalhadores no último ano. A atividade registrou fechamento de 315 mil vagas em novembro em relação ao mesmo período do ano passado, o equivalente a uma queda de 8,8% no total de empregados.

"A indústria tem cerca de 75% dos ocupados com carteira. Nos serviços prestados a empresas, mais de 80% das vagas são com carteira de trabalho. Sendo essas atividades as que mais têm dispensado, isso acaba impactando a carteira assinada", disse Adriana Beringuy, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Em novembro, o País registrou extinção de 540 mil postos de trabalho com carteira assinada, em relação ao patamar de um ano antes, novembro de 2014. 

No comércio, a queda foi de 3,2%, 140 mil vagas a menos, enquanto os serviços prestados a empresas recuaram 3,7%, 141 mil vagas extintas. Nos outros serviços - que incluem serviços financeiros, imobiliários e pessoais -, o corte foi de 150 mil vagas no período de um ano, queda de 3,4% na ocupação. 

A construção, por sua vez, dispensou 25 mil empregados (queda de 1,4% no total de ocupados); serviços domésticos eliminaram 8 mil postos de trabalho (-0,6%); e educação, saúde e administração pública encolheram em 72 mil vagas (-1,8%).


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