Desemprego cai a 5,8%, o menor desde 2002

Números, porém, indicam que mercado de trabalho começa a sofrer com desaceleração

DANIELA AMORIM / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2011 | 03h05

A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País caiu para 5,8% em outubro, após ter ficado em 6,0% em setembro. O resultado é o mais baixo para o mês desde a reformulação da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), em 2002, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, em situação que reforça a desaceleração econômica, ainda não foi registrada a habitual criação de vagas dessa época do ano, quando alguns setores aumentam a contratação de temporários por conta da esperada expansão no consumo do Natal e pelo pagamento do 13.º salário.

A indústria continuou cortando postos de trabalho. Na passagem de setembro para outubro, o setor dispensou 23 mil empregados, um recuo de 0,6% nas vagas. Em relação a outubro de 2010, a indústria cortou 25 mil vagas, uma queda de 0,7%.

"Esse quadro foi diferente em anos anteriores. Na passagem de setembro para outubro, houve crescimento nas vagas da indústria tanto em 2009 quanto em 2010. Em 2011, há uma tendência de redução do contingente dos trabalhadores", disse Cimar Azeredo, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Segundo Rogério César de Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o resultado de outubro causa preocupação. "A indústria não reage no fim do ano. As compras para o Natal são feitas em agosto, mas o reflexo disso (as contratações) não apareceu antes e não apareceu em outubro, ou seja, já era, pelo jeito não vai aparecer mais", observou Souza.

Enquanto isso, as atividades de comércio e serviços parecem ter voltado a contratar. No comércio, na passagem de setembro para outubro, foram criadas 50 mil novas vagas, um aumento de 1,2%. No setor de serviços prestados a empresas, houve alta de 1,8% na ocupação no período, um adicional de 64 mil postos de trabalho, e a atividade outros serviços criou 14 mil vagas, uma expansão de 0,4%.

Serviços. A geração de vagas no setor de serviços prestados a empresas foi o que estimulou o aumento de vagas com carteira assinada. Foram criadas 77 mil vagas formais na passagem de setembro para outubro.

"(Em) empregos como secretária, portaria, conservação, postos que não são da especialidade da empresa, existe uma tendência forte de terceirizar essas atividades. É o que faz esse grupamento crescer a cada dia e puxa a formalização", disse Azeredo.

A renda média do trabalhador ficou estável em outubro, aos R$ 1.612,70. A massa de salários também registrou estabilidade em relação a setembro, somando R$ 36,9 bilhões. "A despeito da desaceleração em curso na economia brasileira, a PME de outubro mostra que ainda há sinais de resistência no mercado de trabalho, o que fornece suporte para o desempenho do consumo neste final de ano", avaliou Rafael Bacciotti, analista da Tendências Consultoria Integrada.

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