Desemprego cai em São Paulo

Após 3 meses de alta, índice recua de 15% em abril para 14,8% em maio

Ricardo Leopoldo, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2009 | 00h00

A leve redução do desemprego na área metropolitana de São Paulo, que caiu de 15% em abril para 14,8% em maio, interrompeu um período de três meses de avanço do nível de pessoas sem trabalho na região e surpreendeu os responsáveis pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) realizada pela Fundação Seade/Dieese. "Os efeitos da crise sobre a demanda agregada foram muito fortes e afetaram nossa economia. Por causa desses impactos, esperava o início da recuperação do mercado de trabalho alguns meses adiante", comentou o coordenador de análise do Seade, Alexandre Loloian. "Ocorreu em maio uma melhora na criação de vagas, o que está relacionado com a preservação dos rendimentos dos trabalhadores, aumento do salário mínimo e medidas fiscais adotadas pelo governo para estimular a venda de bens de consumo", disse o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio. Para os dois especialistas, contudo, apesar de as indicações de maio serem favoráveis, é prematuro avaliar que já está consolidada uma rápida recuperação do nível de emprego na região. "Pode ser que a criação de postos de trabalho nos próximos meses apresente forte oscilação", comentou Lúcio. Segundo ele, o fato de a indústria ter criado 30 mil postos na Grande São Paulo no mês passado não garante um movimento de inflexão no mercado de trabalho. "Pode ser que o setor de vestuário tenha aumentado o ritmo de produção para atender à demanda de roupas de inverno. Mas ainda não se registra um progresso da atividade das indústrias de máquinas e equipamentos", disse Lúcio. Embora São Paulo tenha apresentado aumento na criação de vagas na indústria, ocorreu em maio queda da geração de empregos no setor nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife e Distrito Federal. De acordo com o Seade/Dieese, um segmento produtivo que mostra avanço significativo é o de construção civil. "Em maio, o setor apresentou expansão de 18% em um ano na região metropolitana de São Paulo", comentou Loloian. Segundo ele, reformas de residências são um dos elementos que estão provocando a arrancada do setor, que se beneficiou da isenção do IPI para materiais de construção.

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