Desemprego cai em SP em junho, segundo Seade-Dieese

A taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo caiu 4,6% - ou quase 1 ponto percentual - em junho ante maio, de 19,7% para 18,8% da População Economicamente Ativa (PEA). Os dados constam da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Fundação Seade e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Segundo o Dieese, foram gerados 80 mil novos postos de trabalho no período, que teve ainda a saída de 6 mil pessoas da PEA (9,414 milhões em maio e 9,408 milhões em junho), o que contribuiu para a queda do índice. Nos 12 meses completados em junho, a taxa de desemprego apresentou crescimento: era 17,5% em junho do ano passado e saltou para 18,8%. A pesquisa estima em 1,769 milhão o número de pessoas desempregadas na região. A massa de desempregados é estimada em 1,129 milhão em desemprego aberto e 640 mil em desemprego oculto. Segundo a metodologia utilizada, desemprego aberto é quando a pessoa procurou trabalho nos trinta dias anteriores e não exerceu nenhuma atividade nos últimos sete dias; desemprego oculto é quando a pessoa não possui trabalho nem procurou nos últimos trinta dias. Na capital, a taxa de desemprego caiu 4,4%, enquanto nos outros municípios da Região Metropolitana a queda foi de 4,2%. Em junho, o tempo médio de procura por trabalho aumentou para 50 semanas, uma a mais que a constatada em maio. O rendimento médio real dos trabalhadores ocupados, segundo a pesquisa, não se alterou em junho, tendo permanecido em R$ 842,00. No mesmo período, o salário médio teve uma queda de 0,7%, tendo sido equivalente a R$ 874,00. O setor de serviços foi o que mais criou vagas em junho, 65 mil, que foram ocupadas por trabalhadores com e sem carteira assinada. Na indústria, houve a criação de 38 mil ocupações, principalmente de trabalhadores autônomos. Por sua vez, o comércio da Região Metropolitana de São Paulo, fechou 18 mil vagas, a maioria de assalariados com carteira assinada. Nos outros setores, houve fechamento de 5 mil vagas, muito influenciado pelos serviços domésticos, uma vez que, na construção civil houve pequeno aumento. Crescimento insuficienteA taxa de desemprego da Região Metropolitana de São Paulo aumentou entre 2001 e 2002 porque a economia não cresceu o suficiente para abrir vagas para as pessoas que voltaram a procurar emprego ou entraram no mercado de trabalho nos últimos 12 meses. Isso é o que explica o fato de o desemprego ter aumentado no mesmo período em que o estoque de postos de trabalho (pessoas empregadas) cresceu 0,5%, de 7,601 milhões de trabalhadores para 7,639 milhões."O crescimento econômico nesse período não foi o bastante para criar os empregos necessários. A população tem crescido e entrado no mercado de trabalho mais do que a atividade econômica acelera", afirmou Paula Montagner, gerente de análise da Fundação Seade.Ela citou as turbulências no mercado, a dificuldade para diminuir os juros, o dólar alto, a inflação e o adiamento das decisões de investimento como principais causas do baixo crescimento da economia e, conseqüentemente, do alto desemprego. "Apesar do desempenho largamente favorável da taxa de junho ante maio, bem melhor do que a esperada, a taxa de desemprego ainda está muito elevada", disse Paula.Em junho, a taxa decresceu 4,6% sobre maio, de 19,7% para 18,8%, devido à criação de 80 mil novas vagas e da saída de 6 mil pessoas da PEA. Foi o melhor desempenho de um mês de junho desde 1986 (queda de 5,5%). A analista destacou que o desemprego caiu 6,8% entre os chefes de domicílio. "Ainda há muitas famílias em que só uma pessoa trabalha, por isso esse número é muito importante", disse. Ela destacou ainda que o setor industrial cresceu pelo terceiro mês consecutivo, com 0,5% em junho ante maio. Os ramos da indústria da Região Metropolitana que mais empregaram em junho foram os de alimentação (5,6%), metalmecânico (5,1%), químico e borracha (2,7%) e outras indústrias (4,5%), que envolvem muitas micro e pequenas empresas.O setor de serviços mais contratou do que demitiu pelo terceiro mês consecutivo, tendo aberto 65 mil novas vagas em junho. No comércio, no entanto, houve aumento de desemprego, com o fechamento de 18 mil vagas. "Isso se deve à renda em queda e ao financiamento dificultado, com altas taxas de juros", explicou Paula Montagner. O rendimento médio das pessoas ocupadas se manteve em R$ 842,00 em maio, enquanto que o salário médio caiu 0,7%, para R$ 874,00. Ante maio de 2001, esses rendimentos caíram 7,6% e 9,7%, respectivamente.

Agencia Estado,

25 de julho de 2002 | 10h40

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