Leah Millis/Reuters
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Desemprego cai para 3,9% nos EUA e pode acelerar plano do Fed de elevar os juros

Banco central americano considera iniciar a alta da taxa de juros em março

The New York Times

07 de janeiro de 2022 | 15h50

NOVA YORK - Novos dados mostrando que a taxa de desemprego está caindo e os salários estão subindo devem cimentar - e talvez até acelerar - o plano do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de começar a aumentar as taxas de juros este ano, enquanto tenta conter a alta inflação.

A taxa de desemprego caiu para 3,9% em dezembro, com base em dados coletados durante um período que antecedeu o aumento de casos de covid-19 causado pela variante Ômicron. O desemprego atingiu o pico de 14,8% em abril de 2020 e vem caindo desde então. Antes da pandemia, a taxa de desemprego no país estava em 3,5%. 

O fato de o nível de desemprego estar voltando tão rapidamente aos níveis quase normais fez muitos dirigentes do Federal Reserve avaliarem que os Estados Unidos estão se aproximando do que estimam ser "pleno emprego", embora milhões de pessoas ainda não tenham retornado ao mercado de trabalho. 

"Isso confirma a conclusão do Fed", disse Diane Swonk, economista-chefe da Grant Thornton, após a divulgação do relatório de empregos. “Este é um mercado de trabalho aquecido.” 

Há sinais de que os empregos são abundantes, mas é difícil encontrar  trabalhadores: as vagas de emprego estão em níveis elevados e a proporção de pessoas que deixam seus empregos atingiram um recorde. 

Os empregadores queixam-se de que têm dificuldade em contratar e a falta de trabalhadores fez com que muitas empresas reduzissem o horário de trabalho ou os serviços. 

Como resultado, as empresas começaram a pagar mais para reter seus funcionários e atrair novos candidatos. O rendimento médio por hora subiu 4,7% no ano até dezembro, mais rápido do que os economistas consultados pela agência Bloomberg esperavam e muito mais rápido do que o ritmo normal antes da pandemia, que oscilava em torno de 3%. 

Esses ganhos rápidos de rendimento são um sinal para o Fed de que as pessoas dispostas a trabalhar são capazes de encontrar emprego e de que os salários podem começar a influenciar os preços. Quando as empresas pagam mais, elas também podem cobrar mais de seus clientes para cobrir seus custos. 

Alguns dirigentes do Fed temem que o aumento dos salários e a produção limitada possam ajudar a sustentar a inflação elevada - agora perto do máximo em 40 anos. A combinação de um mercado de trabalho em recuperação e a ameaça de uma inflação descontrolada fez com que os bancos centrais acelerassem seus planos de retirar o programa de estímulo econômico. 

As autoridades do Fed já estão desacelerando as compras de títulos que vêm usando para apoiar a economia. Além disso, eles poderiam aumentar as taxas de juros três vezes em 2022 e os economistas acreditam que esses aumentos podem começar já em março. 

Isso tornaria os empréstimos para carros, casas e expansões de negócios mais caros, reduzindo gastos, contratações e crescimento. “Faz sentido mais cedo ou mais tarde”, disse James Bullard, presidente do Federal Reserve Bank de St. Louis, durante uma ligação com repórteres na quinta-feira, sugerindo que as medidas poderiam acontecer muito em breve. “Acho que março seria uma possibilidade definitiva (para aumentar os juros).” 

E as autoridades sinalizaram que, assim que os aumentos das taxas começarem, eles podem começar a encolher seu balanço patrimonial - onde mantêm os títulos que compraram para estimular o crescimento durante a crise pandêmica. Isso ajudaria a elevar as taxas de juros de longo prazo, reforçando os aumentos das taxas e ajudando a desacelerar ainda mais os empréstimos e gastos.

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