Desemprego cai para 7,4% e tem melhor novembro desde 2002

Taxa vai ao menor nível de 2009, abaixo dos 7,5% apurados em outubro e dos 7,6% registrados um ano antes

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

18 de dezembro de 2009 | 09h04

A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 7,4% em novembro, ante 7,5% em outubro. Trata-se da menor taxa para o mês desde o início da série da pesquisa, em 2002. Em novembro do ano passado, a taxa havia sido de 7,6%. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (7,1% a 8,1%) e em linha com a mediana de 7,4%.

 

Segundo avalia o gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, os dados do mercado de trabalho metropolitano em novembro mostram uma estabilidade em relação ao cenário do mês anterior, "com tendência no aumento da ocupação e queda na desocupação".

 

 

A um mês do fechamento da pesquisa para o ano de 2009, Azeredo considera que o principal efeito da crise sobre o mercado de trabalho foi "uma desaceleração do forte crescimento do emprego e da qualidade do emprego que ocorreu em 2008".

 

Segundo ele, "ainda há reflexos da crise no mercado de trabalho, para dissipar esses efeitos leva um tempo, desfazer postos é mais rápido do que recompor". Segundo o gerente, o bom desempenho de 2008 acabou tornando mais brandos os efeitos da crise. "Como vínhamos de uma situação muito confortável, não houve efeito muito forte da crise no mercado de trabalho, mas houve desaceleração no crescimento do emprego", explica.

 

Azeredo lembra que, antes do início dos efeitos da crise na economia brasileira, no final do ano passado, a expectativa era de continuidade, em 2009, no ritmo dos avanços ocorridos, em 2008, no emprego e na formalidade. Ainda segundo ele, a principal ilustração das perdas que ocorreram com a crise está no nível de ocupação (porcentual de ocupados na população com mais de 10 anos ou mais de idade), que passou, no que diz respeito à média do período de janeiro a novembro, de 52,4% em 2008 para 52,0% em 2009. "Essa queda não é favorável, é um dos efeitos da crise, essa diferença de 0,4 (ponto porcentual) é expressiva", disse.

 

De qualquer modo, Azeredo considera positivos os resultados da pesquisa em novembro. "Apesar da estabilidade, a geração de 98 mil postos de um mês para o outro e a redução de 40 mil desocupados mostra números muito interessantes", avalia.

 

Rendimento

 

O rendimento médio real dos trabalhadores cedeu 0,1% em novembro ante outubro e subiu 2,2% na comparação com novembro do ano passado. Já a massa de rendimento real efetiva da população ocupada nas principais regiões metropolitanas ficou em R$ 29,4 bilhões em outubro, com alta de 0,5% em relação a setembro e aumento de 3,2% na comparação com outubro do ano passado. Os dados da massa efetiva sempre se referem ao mês anterior ao da pesquisa mensal de emprego do IBGE.

 

A massa de rendimento efetivo habitual, por sua vez, somou R$ 29,6 bilhões em novembro, com alta de 0,4% ante outubro e acréscimo de 3,0% ante novembro de 2008.

 

No que diz respeito ao rendimento dos trabalhadores, o gerente da pesquisa destacou que a renda média real de R$ 1.353,60 apurada em novembro de 2009 é a maior, para um mês de novembro, desde o início da série. Ainda segundo ele, na média de janeiro a novembro, a renda média chega a R$ 1.347,83 em 2009, com crescimento de 3,4% em relação a igual período do ano passado. "Há um forte efeito do salário mínimo nesse crescimento. Não é possível dizer que a crise não afetou a renda, porque não dá para saber de quanto seria o aumento se não houvesse a crise", afirmou.

 

Ocupação

 

O número de pessoas ocupadas somou 21,6 milhões em novembro, com alta de 0,5% ante outubro e aumento de 0,7% na comparação com novembro do ano passado, sendo que ambas as variações são consideradas como "estabilidade" pelo IBGE. A população desocupada somou 1,7 milhão, com recuo de 2,3% ante outubro e queda de 2,6% ante novembro de 2008, variações também consideradas como estabilidade.

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