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Desemprego cai para 7,5% e tem menor nível do ano, diz IBGE

Renda mantém resultado positivo em outubro, mas emprego com carteira registra 1ª queda desde 2004

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

26 de novembro de 2009 | 09h06

A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 7,5% em outubro, ante 7,7% em setembro, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira, 26. Trata-se do menor patamar desde dezembro de 2008 (quando a taxa ficou em 6,8%). O gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, considera, contudo, que o mercado de trabalho metropolitano "está parado" e não mostra qualquer alteração significativa, em outubro, em relação a setembro ou a igual período do ano passado. "A taxa de desocupação está estável, não houve mudança na taxa de um mês para o outro", avalia.

 

 

 

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Azeredo destacou também o que considera variações muito pequenas, que segundo ele revelam estabilidade, no número de ocupados e de desocupados de um mês para o outro e ante igual mês do ano passado. "O mercado de trabalho está parado em termos de desocupação e ocupação. O ano está muito parecido com o ano passado no mercado de trabalho, a crise retirou a força de arrancada que havia em 2008, que poderia levar a uma taxa de desemprego menor em 2009", disse. Para ele, "há uma desaceleração do mercado de trabalho com a crise, mas não houve retrocesso, não andou para trás. Mas se não houvesse a crise, a expectativa é de que a taxa teria caído mais".

 

O número de ocupados registrou variação negativa de 0,1% em outubro ante setembro e de -0,3% ante outubro do ano passado. Já o número de desocupados caiu 2,5% ante setembro (um quadro de variação "muito baixa", segundo Azeredo), mas aumento de 0,6% ante outubro de 2008, também uma variação "não significativa", segundo o gerente.

 

Renda mantém bom resultado

 

Azeredo destacou a continuidade na alta do rendimento médio real dos trabalhadores em outubro, ante igual mês do ano passado, como o melhor resultado da pesquisa mensal de emprego. A renda média real dos ocupados nas seis principais regiões ficou em R$ 1.349,70 em outubro, com estabilidade em relação a setembro, mas aumento de 3,2% ante igual mês do ano passado.

 

Ele mostrou dados que revelam que, na média de 10 meses de 2009 (janeiro a outubro), o rendimento médio real atingiu R$ 1.342,24, superior à média de R$ 1.296,55 de igual período do ano passado. Segundo Azeredo, o aumento do salário mínimo é a principal influência para essa alta no rendimento. "O salário mínimo é um indexador para o rendimento de muitos trabalhadores com renda mais baixa e até mesmo para trabalhadores em carteira", observou ele.

 

Emprego com carteira tem 1ª queda desde 2004

 

A pesquisa de outubro, no entanto, traz um dado preocupante. O número de empregados com carteira assinada nas seis principais regiões metropolitanas do País registrou em outubro a primeira queda, ante igual mês de ano anterior, apurada pelo IBGE desde fevereiro de 2004. O número de ocupados com carteira caiu 0,3% em outubro ante igual mês do ano passado. Na comparação com setembro, houve alta de 0,1%.

 

"É um resultado que não é muito favorável, mostra uma perda de qualidade do emprego", ressaltou o gerente da pesquisa mensal de emprego, Cimar Azeredo. Ele lembra que o aumento do emprego com carteira, que foi um destaque do mercado de trabalho no ano passado, vinha sendo impulsionado pelo crescimento econômico.

 

Ele ressaltou que, apesar dessa forte desaceleração nos dados do trabalho com carteira em outubro, o porcentual de trabalhadores com carteira no total de ocupados é maior (44,9%) na média dos 10 meses (janeiro a outubro) deste ano do que em igual período do ano passado (44,4%) e é também o maior da série histórica desde o início da série da pesquisa, em 2002.

 

São Paulo

 

A taxa de desemprego em São Paulo ficou em 8,6% em outubro, ante 8,7% em setembro, segundo  o IBGE. Em outubro do ano passado, a taxa em São Paulo era de 7,7%. Segundo Azeredo, ao longo de 2009 o número de desocupados na região metropolitana de São Paulo tem crescido com taxas elevadas, puxadas sobretudo pelas demissões no setor industrial, por isso a taxa na região é superior ao ano passado, ao contrário do que ocorre na média das seis regiões pesquisadas.

 

Em outubro, o número de desocupados aumentou 10,4% em São Paulo ante igual mês do ano passado, ainda que tenha ocorrido queda (-2,1%) ante setembro. Azeredo explica que o aumento apurado em outubro ante igual mês de 2008 foi puxado pela indústria, o comércio e o segmento de outros serviços, mas a taxa de desemprego na região este ano vem sido puxada especialmente pelo setor industrial. A taxa de desemprego em São Paulo, na média de 10 meses (janeiro a outubro) deste ano ficou em 9,5%, ante 8,6% em igual período do ano passado

 

Texto atualizado às 10h50

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