Desemprego cai para o menor nível desde 2002

Taxa fica em 6,2%; o rendimento dos trabalhadores também bate recorde histórico

Jacqueline Farid / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2010 | 00h00

O mercado de trabalho registrou, em setembro, a menor taxa de desemprego e o maior rendimento apurado pelo IBGE desde 2002. Houve aumento da formalização e do número de ocupados, enquanto a população desocupada ficou, pela primeira vez na série histórica da pesquisa, abaixo do patamar de 1,5 milhão.

A taxa de desemprego recuou para 6,2% em setembro, o menor patamar da série iniciada em março de 2002. O gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, atribui ao "cenário econômico favorável" o ótimo desempenho do mercado de trabalho.

Segundo ele, a desocupação caiu em função da geração de novas vagas e não porque as pessoas tenham desistido de procurar emprego. Ele destacou que houve um conjunto de dados positivos, com queda na desocupação e aumento da ocupação, da formalidade e do rendimento.

Na avaliação do professor Ruy Quintans, do Ibmec-RJ, porém, os bons resultados do mercado de trabalho são sazonais. "Estamos na expectativa de um Natal explosivo em termos de consumo e isso demanda empregos temporários não só no comércio, mas também na manufatura de bens de consumo para o fim do ano", declarou. O professor inclui nessa conta também os empregos gerados pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Ele acredita, numa inversão de cenário a partir de 2011. "Esse quadro do emprego vai se reverter fortemente no início do próximo ano. Não só por efeito das festas natalinas, mas principalmente pelo freio que a indústria vai ter de dar em função da competição dos importados", disse.

O número de ocupados aumentou 3,5% ante setembro de 2009, com criação de 762 mil vagas. Por sua vez, o volume de desocupados (sem trabalho e procurando emprego) caiu 17,7% no período, para 1,48 milhão.

Azeredo esclareceu que os dados apresentados ontem não estão relacionados à geração de vagas temporárias nas campanhas eleitorais. "Se isso tivesse ocorrido, haveria aumento da informalidade e queda no rendimento, o que não aconteceu", ponderou.

O rendimento médio real dos trabalhadores chegou a R$ 1.499,00, com alta de 6,2% ante igual mês do ano passado. O número de trabalhadores com carteira assinada aumentou 1,0% em setembro ante agosto e subiu 8,6% ante setembro de 2009. Entre setembro do ano passado e igual mês deste ano foram geradas 816 mil vagas formais, enquanto o número total de ocupados, no mesmo período, cresceu em 762 mil pessoas. "Houve mais geração de vagas com carteira do que postos de trabalho, o que significa que houve formalização de pessoas que trabalhavam sem carteira", diz Azeredo.

Média. O bom desempenho se repete quando os dados se referem ao período de janeiro a setembro. A taxa média de desemprego nos nove primeiros meses do ano ficou em 7,1%, a menor para o período em toda a série histórica, desde 2003. Ainda que a série da pesquisa de emprego tenha tido início em março de 2002, os dados desse intervalo de tempo só estão disponíveis a partir de 2003 porque houve perda de dados de algumas regiões.

Além disso, o rendimento médio real dos trabalhadores apurado na média de janeiro a setembro, de R$ 1.443,94, também é o maior para o período da série histórica. Em 2003, no mesmo período, era de R$ 1.233,99 e, no ano passado, de R$ 1.402,21./ COLABORARAM: GLAUBER GONÇALVES E MARCÍLIO SOUZA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.