Felipe Rau/Estadão - 17/9/2019
Felipe Rau/Estadão - 17/9/2019

Com informalidade em alta, taxa de desemprego desacelera para 11,6% em outubro

Total de desempregados ainda é de 12,3 milhões de pessoas e o trabalho por conta própria alcançou 24,4 milhões de brasileiros, aponta o IBGE

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2019 | 09h13

RIO - A ligeira queda na taxa de desemprego mostra um mercado de trabalho que segue se recuperando lentamente, repetindo o cenário dos últimos meses, em que as ocupações informais lideram a geração de vagas. A taxa ficou em 11,6% no trimestre móvel terminado em outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 29, ante a taxa de 11,7% registrada um ano antes. O total de desempregados ainda é de 12,367 milhões de pessoas, contingente 0,5% maior do que o contabilizado um ano antes.

“A recuperação é lenta e depois de uma recessão muito profunda, em que os trabalhadores ficaram muito tempo sem emprego, a reinserção é mais difícil, porque também tem que se adaptar à evolução da tecnologia”, afirmou o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale.

A taxa de informalidade (considerando a soma de todas as ocupações consideradas informais) ficou em 41,2% da população ocupada, ligeiramente abaixo do recorde de 41,4% atingido no terceiro trimestre. São 38,751 milhões de brasileiros atuando na informalidade, incluindo um recorde de 11,852 milhões de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado.

O trabalho por conta própria, também marcado pela informalidade, alcançou 24,446 milhões de brasileiros no trimestre encerrado em outubro. Desse total, 19,466 não têm CNPJ, ou seja, são informais. Em um ano, o trabalho por conta própria ganhou a adesão de 913 mil pessoas – incluindo 544 mil sem CNPJ. A taxa de informalidade só não renovou o recorde porque houve redução no contingente de trabalhadores em algumas ocupações também informais, como empregador sem CNPJ e trabalhador familiar auxiliar.

“Não tem jeito, com uma crise dessa magnitude é natural que haja mais contratações informais”, afirmou Vale, da MB Associados. Para o economista, a taxa média de desemprego deverá seguir acima de dois dígitos até o fim do governo de Jair Bolsonaro. A expectativa para este ano é de 12%, caindo para 11,5% em 2020, 11% em 2021 e 10,3% em 2022.

Nas comparações entre períodos mais curtos, de um trimestre ante o imediatamente anterior, houve uma redução no ritmo de queda do total de desempregados, destacou a analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE Adriana Berenguy. Ainda assim, para a pesquisadora, essa perda de fôlego na queda do desemprego é insuficiente para sinalizar mudança de trajetória na lenta recuperação do mercado de trabalho, deixando o pior para trás, mas com geração de vagas via ocupações marcadas pela informalidade.

'Indícios de melhora'

Apesar da perda de ritmo na queda do contingente de desempregados, o crescimento da população ocupada, ou seja, a geração de vagas, segue superior à diminuição da população desocupada. Em um ano, são 1,436 milhão de trabalhadores a mais ocupados, alta de 1,6%. Em um trimestre, o crescimento foi de 0,5%, com 470 mil trabalhadores a mais.

Assim, a perda de fôlego na queda do contingente de desempregados não se dá pelo fechamento de vagas, ainda que o ritmo de abertura de postos de trabalho, mesmo informais, seja abaixo do necessário. “Não parece que a desocupação está caindo em ritmo menor por não ter absorção (na população ocupada)”, afirmou Berenguy.

Tanto que houve geração de vagas formais. A população ocupada com carteira assinada somou 33,206 milhões, alta de 1,0% na comparação com o trimestre móvel encerrado em outubro de 2018. São 344 mil trabalhadores formais a mais.

“São os primeiros indícios de melhora. Depois da geração de vagas informais, a criação de postos formais, começamos a ver uma segunda virada do mercado de trabalho no pós crise”, afirmou Luis Bento, economista da gestora de recursos Rio Bravo.

O problema é que esses “primeiros indícios de melhora” podem não ser suficientes para impulsionar a economia. O economista-chefe da Arazul Capital, Rafael Leão, demonstrou preocupação com o fato de os salários terem ficado estáveis em todas as comparações feitas pelo IBGE.

A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.317 no trimestre encerrado em outubro. O resultado representa alta de 0,8% em relação a igual período de 2018 e avanço de 1,1% ante o trimestre móvel imediatamente anterior. Com isso e mais a geração de novas vagas, a massa de renda real, ou seja, a soma de toda a renda de todos os trabalhadores, somou R$ 212,808 bilhões, alta de 2,6% no período de um ano.

Para o economista da Arazul, isso não favorece o consumo das famílias e, por sua vez, não indica aceleração do ritmo de recuperação da atividade econômica. Por outro lado, a dinâmica dos rendimentos mostra que não deve haver pressão inflacionária, disse Leão. / COLABORARAM THAÍS BARCELLOS e REGINA SILVA

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