Desemprego chega a 21,5% na Espanha

A crise social na Europa não dá sinais de perder força. Ontem, dados divulgados pelo governo espanhol indicaram que o desemprego no país atinge quase 5 milhões de pessoas, 21,5% da população. A taxa é a maior em 15 anos e representa um duro golpe contra o partido no poder, a três semanas das eleições gerais.

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2011 | 03h08

O desemprego espanhol é o maior entre os países industrializados e, em apenas quatro anos, o número de desempregados triplicou. Em 2007, antes da eclosão da crise, o volume de pessoas sem trabalho na Espanha era de 1,7 milhão, 7% da população. O que mais preocupa o governo é o desemprego entre os jovens, que chega a 45%.

A divulgação dos novos números representa um obstáculo a mais para o Partido Socialista que enfrenta em 20 de novembro seu maior teste eleitoral. Todas as sondagens apontam que o presidente do governo José Luis Rodriguez Zapatero será derrotado pela oposição conservadora do Partido Popular. Zapatero seria, assim, mais uma vítima da crise que já derrubou os governos da Islândia, Reino Unido, Irlanda e Portugal.

Nos últimos meses, o governo vem adotando medidas radicais para reduzir seu déficit, o que tem levado ao corte de benefícios sociais e incentivos às empresas. O resultado, segundo analistas, é uma deterioração importante da situação econômica. A ministra de Finanças, Elena Salgado, tentou ontem defender sua gestão, alegando que está liderando um processo para tornar a economia espanhola "mais competitiva".

Mas os dados mostram uma realidade bastante diferente. A economia espanhola entrou em recessão em 2008. Em 2011, deve crescer 0,8%. Desde 2008, 2,3 milhões de postos de trabalho foram destruídos. Outro fator que preocupa é o número de família em que todos os integrantes estão desempregados. Em 2007, 57 mil famílias estavam nessa situação. Hoje, são 1,4 milhão de famílias sem emprego. Para críticos, é a estabilidade social do país hoje que está ameaçada. Em Andaluzia, um a cada três habitantes não trabalha. / J.C.

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