Desemprego continua a ser principal causa da inadimplência

Pesquisa realizada pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) este mês junto a consumidores que procuram o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) revela que o desemprego continua a ser a principal causa da inadimplência na cidade de São Paulo. Dos 554 entrevistados pela ACSP, 48% afirmaram que a causa do não-pagamento de seus débitos foi o desemprego próprio (44%), ou de alguém da família (4%). O percentual registrado este mês ficou abaixo da taxa de 58% da pesquisa anterior, de setembro de 2003. O descontrole do gasto está em segundo lugar na pesquisa, com 16% das respostas, seguido pelas causas de ter emprestado o nome ou ter sido fiador ou avalista, com 13% das respostas. Dentre os que apontaram o desemprego como a principal causa, 43% disseram que ainda continuam desempregados. A pesquisa revelou também que o porcentual de inadimplência entre mulheres aumentou de 41% para 43%. De acordo com o levantamento da ACSP, os carnês representaram 37% da inadimplência; os cheques, 34% e os cartões de crédito, 29%. De acordo com os entrevistados pela ACSP, 89% dos cheques sem fundos emitidos foram pré-datados. Destes, 27% tinham apenas um cheque registrado; 40%, de dois a cinco e 33%, de seis ou mais cheques. Comércio é setor mais afetado Com 51% das respostas, o comércio foi o setor mais atingido pela inadimplência, seguido pelos bancos (17%) e as financeiras (14%). Segundo a pesquisa, os produtos mais afetados pela inadimplência foram roupas e calçados (20%) e eletroeletrônicos (17%). Dos entrevistados, 96% disseram que pretendem quitar os débitos, sendo que 66% deles vão utilizar o salário, cortando gastos, para efetuar os pagamentos. "É preocupante constatar que a instabilidade da economia brasileira e o desemprego e a queda de renda dos últimos anos têm provocado o aumento da inadimplência", disse o presidente da ACSP, Guilherme Afif Domingos. Apesar disso, ele ressaltou que o consumidor vem demonstrando maturidade, já que nos dois últimos anos observou-se, segundo o presidente da instituição, que o comprador tem preferido pagar ou renegociar seus débitos a realizar novas compras.

Agencia Estado,

30 Março 2004 | 15h48

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