Desemprego continua baixo, mas deve subir

ANÁLISE: Fernando de Holanda Barbosa Filho

O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2014 | 02h05

A última Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, divulgada ontem, registrou a menor taxa de desemprego da série histórica para o mês de setembro, de 4,9%. Em princípio, isso poderia indicar uma economia dinâmica, com grande crescimento do número de vagas e expansão da renda.

No entanto, o cenário é bem mais pessimista. Entre setembro de 2013 e o mesmo mês de 2014, o mercado de trabalho doméstico reduziu o pessoal ocupado em 91 mil pessoas. A taxa de desemprego somente caiu devido à saída do mercado de trabalho de 236 mil pessoas, que pararam de procurar emprego. Logo, apesar da baixa geração de vagas, o desemprego permanece baixo.

A redução de pessoas na população economicamente ativa (PEA), ou seja, que estão trabalhando ou procurando emprego, está sendo afetada por diversos fatores. A maior renda possibilita que a família decida quem deve ou não procurar emprego. Além disso, o processo educacional atrai mais jovens em direção às escolas e a formalização permite que as pessoas demitidas utilizem seus benefícios para postergar sua volta ao mercado de trabalho.

O baixo crescimento do emprego está sendo acompanhado por um pequeno incremento do rendimento real dos trabalhadores. Ele teve alta de 3,2% em dezembro de 2013 com relação ao mesmo mês de 2012 e está crescendo somente 1,5% na comparação entre setembro de 2014 e de 2013. O menor crescimento do rendimento e a geração negativa de empregos são sinais evidentes de enfraquecimento do mercado de trabalho.

Desse modo, é de se esperar que o desemprego deva subir no próximo ano, à medida que as pessoas voltem ao mercado de trabalho. A baixa geração de vagas, combinada com aumento da procura por emprego, deve causar elevação da taxa de desemprego. Para o leitor ter uma ideia, caso a PEA tivesse se mantido a mesma em relação a setembro do ano passado, o desemprego seria de 5,8% em vez dos atuais 4,9%. Caso a PEA tivesse continuado a crescer no ritmo médio dos anos de 2011 e 2012 (1,4% ao ano), a taxa de desemprego já estaria em 6,2%. Logo, a elevação da taxa de desemprego deve ocorrer em ritmo rápido no próximo ano.

* Pesquisador da área de economia aplicada da FGV/Ibre

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