Desemprego cresce e é o maior desde maio de 2005

A taxa de desemprego no Brasil voltou a subir em fevereiro e atingiu 10,1% da População Economicamente Ativa (PEA). É a primeira vez, depois de oito meses, que a proporção de pessoas fora do mercado de trabalho atinge um número com dois dígitos. A última vez que o IBGE detectou uma variação com dois dígitos foi em maio de 2005, quando apresentou taxa de 10,20%. No mês passado, a taxa estava em 9,2%.É verdade que o aumento do desemprego é esperado nesta época do ano, em função da "devolução" de vagas criadas no final do ano anterior com as festas de Natal e Ano-Novo. Esta sazonalidade (fatores específicos de determinadas épocas do ano) é prevista porque o movimento já foi verificado em anos anteriores. Em 2004, por exemplo, a taxa subiu de 11,70% em janeiro para 12,00% no mês seguinte. Também no ano passado, a variação passou de 10,20% de janeiro para 10,60% em fevereiro.A diferença agora é que a elevação de um mês para o outro foi de 0,9 ponto porcentual, o mesmo ritmo de aumento mostrado de dezembro (8,3%) para janeiro (9,2%). Esta aceleração da taxa surpreendeu os analistas do mercado financeiro. Levantamento feito pela Agência Estado com 12 economistas mostrava que as expectativas eram de alta, mas o resultado apresentado esta manhã pelo IBGE superou até o teto das projeções, que iam de 9,4% a 9,8%.O alento que a pesquisa do IBGE trouxe é o de que, utilizando-se sempre o mesmo mês de comparação, a taxa de desemprego vem mostrando forte desaceleração desde 2004, quando estava em 12,00%. Em fevereiro do ano passado, foi a 10,60% e agora atingiu a marca de 10,1% que, embora seja uma forte elevação em relação a janeiro, é a menor taxa registrada pelo IBGE para um mês de fevereiro.EstadosPor estados, na comparação com janeiro, foi observada queda na taxa de desocupação apenas em Salvador (de 14,9% para 13,6%). Em Recife e Porto Alegre houve estabilidade, enquanto os seguintes estados tiveram aumento: Belo Horizonte, de 8,1% para 9,1%; Rio de Janeiro, de 6,9% para 7,9%; e São Paulo, de 9,2% para 10,5%. No confronto com fevereiro de 2005, duas regiões metropolitanas apresentaram alteração neste indicador: crescimento em Recife, de 13,2% para 15,9%; e queda em Salvador, de 15,6% para 13,6%. Nas demais, houve estabilidade.Rendimento médio real A pesquisa estimou que o rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores teve aumento de 1,1% na comparação com janeiro, chegando a R$ 999,80 mensais. Tomando como base fevereiro do ano passado, a alta foi ainda maior: 2,5%. Variação do rendimento médio realMêsAnte mês anteriorAnte igual mês do ano anteriorFevereiro 20051%2,6%Março0,5%1,7%Abril-1,8%0,8%Maio-1,5%zeroJunho1,5%-0,3%Julho2,5%1,6%Agosto0,7%3,7%Setembrozero2%Outubro-1,4%1,8%Novembro0,4%2,1%Dezembro1,8%5,8%Janeiro 2005-1,2%2,3%Fevereiro1,1%2,5%Por região, Rio de Janeiro foi o local onde as pessoas passaram a receber menos no período. Na região metropolitana da cidade, a queda foi de 2,4%. Em Recife e Salvador também houve queda no valor médio do salário, de 2% e 1,95, respectivamente. Na contramão estão São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. As regiões tiveram crescimento no poder de compra do trabalhador de 3,3%; 2,1% e 1,2%, respectivamente. Pessoas desocupadasEntre os 2,23 milhões de desempregados de fevereiro, 55,5% eram mulheres e 44,5% homens. Em relação à faixa etária, 7,9% tinham de 15 a 17 anos, 38,4% tinham de 18 a 24 anos, 46,9% de 25 a 49 anos e 6,4%, 50 anos ou mais.Com relação ao tempo de procura, 21,4% estavam em busca de trabalho por um período não superior a 30 dias; 45,5%, por um período de 31 dias a 6 meses; 8,3%, por um período de 7 a 11 meses; e 24,9%, por um período de pelo menos 1 ano. Este texto foi atualizado às 13h15.

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