Desemprego de 5,3% é o menor para o mês desde o início da série

Queda na taxa ocorre mesmo com o a fraca atividade econômica e a redução no ritmo de criação de vagas

VINICIUS NEDER, DANIELA AMORIM / RIO , O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2012 | 03h04

Nos dois meses em que o País ficou sem saber a taxa de desemprego - junho e julho -, o mercado de trabalho continuou aquecido, apesar do fraco desempenho da economia. O desemprego de agosto, de 5,3%, foi o menor para o mês desde o início da série histórica, em 2002, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo especialistas, a queda no desemprego ocorre mesmo com a atividade econômica fraca e a redução no ritmo de criação de vagas formais porque o crescimento do mercado de trabalho também está mais lento. A baixa qualificação dos trabalhadores ajuda a explicar o fenômeno, assim como a desaceleração do crescimento populacional.

Com isso, o desemprego segue em mínimas históricas. As taxas de junho (5,9%) e julho (5,4%) - divulgadas após o fim da greve de mais de 60 dias no IBGE - ficaram abaixo de 2011. Assim, o desemprego médio de janeiro a agosto ficou em 5,7%, também o menor da série histórica, segundo cálculos do gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), Cimar Azeredo.

Segundo Azeredo, a comparação "mostra uma tendência de queda na taxa de desocupação" de 2011 para 2012. Assim como no ano passado, agosto teve a menor taxa de desemprego do período de oito meses do ano. Historicamente, os meses do fim do ano têm desemprego menor, com as indústrias se preparando para a produção do Natal e o comércio contratando temporários.

Especialistas concordam com a tendência de queda no desemprego neste ano, mas chamam atenção para alguns componentes negativos. O economista José Márcio Camargo, da gestora de investimentos Opus e professor da PUC-Rio, chamou a atenção para o ritmo menor de crescimento do número de pessoas no mercado de trabalho, medido pela população economicamente ativa (PEA). O desemprego é medido na comparação com a PEA. "A economia e a geração de empregos desaceleraram, mas o crescimento da PEA também desacelerou. Por isso o desemprego continua em queda."

O crescimento da PEA em agosto foi de 0,7% ante igual mês de 2011, pior desempenho nesse tipo de comparação desde agosto de 2005. O IBGE também mostrou queda no ritmo de crescimento da população ocupada, que aumentou 1,5% em agosto ante igual mês de 2011.

Em relatório, o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco destacou que a média histórica de crescimento da população ocupada nessa base de comparação é de 2,6%.

Por outro lado, Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central (BC) e sócio da consultoria Schwartsman & Associados, chamou a atenção para o fato de a população economicamente ativa manter-se estável em ralação à população em idade ativa.

O problema estaria na oferta da mão de obra. Com o desemprego em baixa, o mercado de trabalho passa a ser mais afetado pela oferta de empregados do que pela demanda das empresas.

O menor crescimento do total de pessoas no mercado de trabalho também tem fatores demográficos. A população em idade ativa cai porque as taxas de natalidade e, consequentemente, de crescimento populacional recuaram a partir dos anos 1980, lembrou Camargo, da PUC-Rio.

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