Desemprego de 6,1% é o menor do mês em 8 anos

Taxa de janeiro aumentou, porém, em relação a dezembro, por causa da demissão de temporários, e indica que ano não será tão bom quanto 2010

Glauber Gonçalves e Alessandra Saraiva, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2011 | 00h00

A taxa de desemprego ficou em 6,1% em janeiro, o nível mais baixo para este mês desde 2003, apontou a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A desocupação, porém, subiu ante dezembro do ano passado, movimento já esperado, por causa da dispensa de trabalhadores temporários contratados no fim do ano.

Após um ano com resultados sem precedentes para o mercado de trabalho, a expectativa é de que os avanços em 2011, tanto na redução do desemprego quanto na alta da renda média do trabalhador, sejam um pouco mais modestos. Sem a repetição do crescimento da economia visto em 2010, a tendência é que as empresas contratem menos, o que pode resultar em elevação do desemprego ao longo do ano, embora deva permanecer em níveis inferiores aos do ano passado.

"A economia vai crescer menos em 2011 e, consequentemente, vai gerar menos empregos. Por isso, a taxa de desemprego vai ter uma tendência de aumentar um pouco", avalia o economista José Márcio Camargo, da PUC-Rio, acrescentando, porém, que as altas na taxa devem ser marginais e não são motivo de grande preocupação.

Um dos sinais de que os resultados do mercado de trabalho não devem ser tão vistosos quanto os de 2010 foi dado pelo menor índice de efetivação de profissionais temporários contratados no fim do ano passado. O IBGE apontou que a população ocupada teve queda de 1,6% em janeiro deste ano ante dezembro do ano passado, o que refletiu, em parte, a dispensa de trabalhadores temporários no período.

Já ao analisar a evolução da população ocupada de dezembro de 2009 para janeiro de 2010, a queda, que ocorre costumeiramente pela dispensa dos temporários, foi menos intensa, de 1%.

O técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Roberto Gonzalez avalia que o menor nível de efetivação também se deve a uma base de comparação baixa. "Na virada de 2009 para 2010, estávamos voltando a crescer de forma muito acelerada, após um momento em que as empresas tinham reduzido estoques e demitido trabalhadores", afirma, ao explicar a necessidade que as empresas tiveram de reter os trabalhadores naquele momento.

Janeiro também marcou o maior rendimento médio real para este mês na série histórica iniciada em 2002. O gerente da PME, Cimar Azeredo, destacou que, apesar do aumento da inflação nos últimos meses do ano passado e no começo deste ano, o trabalhador brasileiro mostrou salto positivo na renda, com altas de 0,5% em janeiro deste ano ante dezembro de 2010 e de 5,3% na comparação com janeiro do ano passado.

A avaliação de Camargo é de que a inflação em alta vai fazer o rendimento médio crescer menos nos próximos meses. Mas uma redução na pressão sobre os preços é esperada justamente por causa do leve desaquecimento do mercado de trabalho.

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