Desemprego dos jovens chega a 64% na Grécia

Índice geral de desemprego na Grécia voltou a subir e atingiu 27% da população em idade da trabalhar, a maior taxa registrada na zona do euro

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2013 | 02h02

A taxa de desemprego subiu novamente na Grécia em fevereiro e atingiu 27%, em comparação com a leitura revisada para baixo de 26,7% em janeiro, informou a agência de estatísticas do país, a Elstat. O desemprego na Grécia é o maior da zona do euro e mais que o dobro que os 12% do bloco em fevereiro.

Os dados mostram que a crise no mercado de trabalho continua afetando fortemente os jovens: 64,2% dos gregos com idade entre 15 e 24 anos estavam sem emprego em fevereiro, em comparação com 24% na zona do euro e 7,6% na Alemanha, que é a maior economia do bloco europeu.

O total de pessoas sem trabalho na Grécia alcançou 1,3 milhão, acima de 1,1 milhão em fevereiro do ano passado e bem mais do que os 391.265 desempregados em fevereiro de 2008, antes da crise financeira e do colapso econômico que se seguiu.

Venda de títulos. Apesar de ainda estar abalado pela crise, o governo da Grécia já se prepara para retornar aos mercados financeiros em 2014. O anúncio foi feito ontem pelo ministro de Finanças, Yannis Stournaras, que pretende retomar a venda de títulos da dívida pública aos investidores externos, como acordado com Bruxelas. No entanto, a tentativa de virar a página dos socorros internacionais pode custar caro ao país: hoje a Grécia teria de pagar quase 10% de juros para se refinanciar.

O prazo de 2014 foi estabelecido nos contratos de empréstimos concedidos em 2010 e 2011 pela União Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI). Após pedir de forma sucessiva a revisão de metas dos acordos com Bruxelas, Atenas agora pretende cumprir o objetivo. "Em 2014, nós seremos obrigados a sair dos acordos de resgate, o que quer dizer que nós devemos retornar aos mercados", disse Stournaras à rede de TV grega Net. "Eu espero que a Grécia retorne aos mercados no fim de 2014, depois que tenhamos conseguido fazer um superávit primário do orçamento e retomar o crescimento."

'Mesma sorte'. Além da Grécia, outros quatro países recebem empréstimos da UE: Portugal, Irlanda e Espanha - limitado ao sistema financeiro - e o Chipre. Depois de receberem resgates, Irlanda e Portugal já voltaram ao mercado privado. "Espero que tenhamos a mesma sorte de Portugal e da Irlanda, que começaram a retornar aos mercados com taxas inferiores a 6%", estimou Stournaras.

A data em que a Grécia voltará a negociar títulos de sua dívida soberana nos mercados financeiros se tornou um debate na Europa depois que o FMI deu sinais de que não tem intenção de aceitar, "por ora", nenhum novo tipo de renegociação dos acordos de empréstimo a Atenas. Um novo corte de dívidas é visto por especialistas como uma das alternativas para fazer com que o país consiga reduzir sua dívida a 124% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, como acertado após o corte de € 100 bilhões imposto aos investidores privados em 2012.

Estimativas indicam que a dívida grega, que ainda não parou de crescer, chegue perto de 180% do PIB até o fim do ano. / COM AGÊNCIAS

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