Desemprego é maior entre a população negra ou parda

O desemprego em março foi maior entre a população negra ou parda do que entre a população branca, nas seis principais regiões metropolitanas do País. A informação consta do suplemento especial da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de março, divulgado hoje pelo IBGE. O instituto lembra que a taxa de desemprego em março ficou em 12,8%. Mas, segundo a análise, entre a população negra ou parda, a taxa de desemprego em março atingiu patamar maior, de 15,3%; já entre a população branca, a taxa se posiciona em 11,1%. De acordo com o IBGE, em março, a população desocupada - ou seja, sem trabalho e procurando emprego -, era composta por 50,4% de pessoas negras ou pardas; a população branca, por sua vez, tinha 49,2% do total de desocupados naquele mês. A divulgação desse suplemento não será feita de forma freqüente e foi realizada em caráter especial. O IBGE informou ainda que a população ocupada, de pessoas trabalhando nas seis regiões metropolitanas do País, era de 18,5 milhões em março. Deste total, 58% era de pessoas brancas, e 40,08% de pessoas negras ou pardas. O suplemento mostra ainda que a região metropolitana de São Paulo apresenta o maior índice de desemprego das regiões entre a população negra ou parda, com taxa de 18,4%. Em março deste ano, do total de população em idade ativa (PIA) - que são as pessoas com 10 anos ou mais de idade -, das seis regiões metropolitanas, 56,5% eram de pessoas brancas, 33,9% de pessoas pardas; e 8,5% de pessoas negras. O IBGE informou ainda que a baixa proporção de pessoas de origem asiática e indígena nas regiões pesquisadas pela PME - cerca de 1% - não permite ao instituto fazer uma análise detalhada destes grupos separadamente. As regiões metropolitanas pesquisadas pela PME são as de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.Escolaridade Quase a metade da população branca em idade ativa tem escolaridade até o segundo grau, mas entre a população negra ou parda, essa fatia não chega a um terço do total de pessoas desta raça, em idade ativa, nas seis principais regiões metropolitanas do País. O dado também consta da Pesquisa Mensal de Emprego. Segundo a análise, 42,9% do total da população branca em idade ativa (com 10 anos ou mais de idade) tem 11 anos ou mais de estudo, nas regiões pesquisadas. Já na população negra ou parda em idade ativa, a participação de pessoas com escolaridade de 11 anos ou mais de estudo é de apenas 24,9% do total nas regiões. Outro dado do suplemento mostra ainda que, enquanto 14,7% da população branca em idade ativa freqüentava ou já havia freqüentado algum curso de qualificação profissional, este percentual era menor entre a população negra ou parda - 11,7% do total de pessoas em idade ativa, nesta raça. A participação de pessoas em empregos com carteira assinada também é maior entre os brancos do que entre os negros. O IBGE informa que 41% da população branca ocupada nas regiões se inseria no mercado de trabalho com carteira assinada no setor privado; entre a população negra ou parda, esta participação era de 37,5%. Empregados domésticosUm dos destaques da pesquisa foi ainda a grande proporção de empregados domésticos entre a população negra ou parda, em comparação com a população branca. Os trabalhadores domésticos representavam 11,2% do total de empregados negras ou pardas em idade ativa, ante fatia de 5,4% observada na população ocupada branca, em idade ativa. As regiões metropolitanas pesquisadas pela PME são as de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.Renda médiaA renda média do trabalhador branco é quase o dobro do empregado negro ou pardo, nas principais regiões metropolitanas do País. Segundo a análise, o rendimento médio da população ocupada branca era de R$ 1.096 em março. Já o da população negra ou parda era de R$ 535. Vale ressaltar que, naquele mês, a renda média da população ocupada, nas regiões pesquisadas pela PME em março, foi de R$ 874. Entre as regiões, os empregados de cor negra ou parda de Recife tiveram a menor renda média em março, com valor de R$ 438; este montante é praticamente a metade do rendimento médio dos empregados de cor branca na mesma localidade (R$ 866). O maior rendimento médio entre os trabalhadores negros ou pardos foi observado em São Paulo, de R$ 560. Este valor também é praticamente a metade do que ganham os empregados de cor branca naquela região (R$ 1.176). Já entre as pessoas brancas, a maior renda média na população ocupada foi registrada na região metropolitana de Salvador, com valor de R$ 1.550. Este montante é 2,8 vezes acima do que os trabalhadores negros ou pardos daquela localidade têm como renda média (R$ 556).Assim como já verificado entre os trabalhadores negros ou pardos, a região metropolitana de Recife também engloba a menor renda média entre os trabalhadores brancos. As regiões metropolitanas pesquisadas pela PME são as de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

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