Desemprego é o maior problema dos EUA no momento, diz Bernanke

Segundo ele, o Fed zerou as taxas de juros para dar apoio ao crescimento e estimular a criação de vagas

Álvaro Campos, da Agência Estado,

22 de julho de 2010 | 13h24

O desemprego é o maior problemas dos Estados Unidos no momento, afirmou o presidente do banco central norte-americano, Ben Bernanke, no segundo dia de seu depoimento semestral ao Congresso, ao responder a perguntas dos deputados sobre o que o Federal Reserve está fazendo para estimular a criação de empregos.

Segundo ele, o Fed está tomando medidas agressivas, como zerar as taxas de juros para fazer com que as condições financeiras deem apoio ao crescimento. Planos para grandes gastos, como aqueles adotados durante a Grande Depressão, são uma ferramenta de política fiscal, e não do Fed, disse Bernanke.

O presidente do banco central comentou ainda que o crédito para empresas de pequeno porte precisa de mais apoio, especialmente porque elas são a principal fonte de emprego. O desafio é não ficar apenas voltado para empresas já existentes. "Nós estamos com poucas fontes de financiamento para novos negócios e para aqueles em expansão", afirmou.

Ainda de acordo com Bernanke, uma das medidas de estímulo adotadas pelo governo é a criação de cursos para os desempregados e o auxílio para pequenas empresas. "Mas o Congresso precisa assegurar que qualquer programa seja bem planejado", alertou.

Política fiscal futura preocupa empresas

Bernanke que tem ouvido muitos empresários norte-americanos preocupados com as futuras decisões sobre política fiscal que os legisladores podem tomar. Mas destacou que é difícil quantificar em que grau essas empresas estão sendo afetadas por conta desses receios.

Os deputados do Partido Republicano pressionaram Bernanke sobre o assunto durante o depoimento semestral do presidente do Fed no Congresso, questionando se os receios de um aumento de impostos, gerados pelo enorme déficit no Orçamento federal, estariam prejudicando as contratações.

Bernanke disse que "é difícil saber" quão significante é o impacto desse receio na tomada de decisões das empresas. "A incerteza geral é um fator de pressão sobre suas atividades e expansões", disse o presidente.

Bernanke também disse, repetidamente, que acredita ser "importante" manter o apoio fiscal no curto prazo, já que a economia ainda está fraca, mas que os legisladores precisam lidar com a "trajetória fiscal" insustentável do país no longo prazo, para manter a confiança pública e do mercado.

"Pronto" para agir

"Nós estamos prontos, e vamos agir se a economia não continuar a melhorar", disse Bernanke ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos EUA, reiterando afirmação feita no dia anterior.

Classificando a condição atual de fraqueza no mercado de trabalho de "insatisfatória", Bernanke disse que o Fed vai considerar mais medidas se as condições não melhorarem como o esperado. "Estamos considerando todas as opções".

Com as taxas de juros de curto prazo já nas mínimas recordes, o presidente do Fed reiterou que entre as opções não convencionais que podem ser adotadas são aumentar a transparência sobre por quanto tempo as taxas de juros vão permanecer baixas, reduzir a taxa de juro que o Fed paga sobre os depósitos compulsórios que o bancos mantêm no banco central ou retomar a compra de ativos.

Tais ações podem ser mais eficientes se as condições financeiras piorarem, comentou Bernanke. Entretanto, ele disse que espera que a economia dos EUA retome uma recuperação moderada, com as tensões continuando a se suavizar nos mercados de dívidas europeias.

Reforma da Fannie Mae e Freddie Mac

Para Bernanke, o Congresso dos EUA precisa tratar da reforma das agências de crédito hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac. "Claramente, isso é algo que precisamos resolver muito em breve", disse.

As duas agências de crédito estão sob controle do governo desde setembro de 2008 e legisladores dos dois partidos já reconheceram o Congresso precisa reformar o sistema de financiamento de hipotecas residenciais. O governo do presidente Barack Obama deve divulgar uma proposta para o futuro papel das duas agências ainda neste ano.

Basicamente, os legisladores têm duas alternativas, disse Bernanke: eles poderiam dividir as empresas e privatizá-las, ou transformá-las em instituições ligadas ao serviço público.

O presidente do Fed também disse que a incerteza está sendo um fator importante a impedir que os bancos aumentem a oferta de crédito. "Eles sentem que ou os riscos na economia ou falta de tomadores de crédito confiáveis estão restringindo suas oportunidades de conceder novos empréstimos", afirmou Bernanke. "Mas, com a melhora na economia, eu tenho certeza de que isso vai se refletir nos mercados de crédito", acrescentou. As informações são da Dow Jones.

Texto atualizado às 14h48

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