Desemprego e queda de renda impedem recuperação do comércio

O desemprego elevado e a queda na renda dos trabalhadores estão impedindo uma recuperação nas vendas do comércio varejista, segundo avalia o técnico da coordenação de comércio e serviços do IBGE, Nilo Lopes. "Enquanto houver desemprego alto e rendimento em queda, dificilmente o comércio vai melhorar seu desempenho", disse. O IBGE divulgou hoje uma queda de 5,9% no volume de vendas em agosto, na comparação com igual mês do ano passado. Segundo Lopes, qualquer renda adicional das famílias está sendo deslocada para o pagamento de dívidas e, por isso, o varejo não está se beneficiando da queda dos juros ou do maior otimismo em relação ao desempenho da economia. O técnico do IBGE avalia que o comércio deverá fechar 2003 acumulando queda nas vendas em relação ao ano passado. "Será muito difícil chegar ao final do ano com resultado positivo, pois as quedas estão muito fortes", disse. No acumulado do ano até agosto, as vendas do varejo caíram 5,49% ante igual período de 2002. Combustíveis e lubrificantesTodas as atividades do comércio pesquisadas pelo IBGE apresentaram em agosto desempenho pior do que em julho. O agravamento da situação foi mais forte no segmento de combustíveis e lubrificantes, que havia registrado queda de 1,99% em julho e apresentou redução de 8,85% em agosto. Os dados são sempre comparativos ao ano passado, já que a pesquisa de comércio não apresenta dados de comparação em relação a mês anterior. Houve aprofundamento da queda também, de julho para agosto, em hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-5,46% para -5,76%); tecidos, vestuário e calçados (-6,32% para -6,67%); móveis e eletrodomésticos (-1,01% para -1,35%); demais artigos de uso pessoal e doméstico (que inclui farmácias, papelarias e informática, de -4,25% para -6,18%) e veículos, motos e partes (-10,98% para -16,22%). O técnico da coordenação de comércio e serviços do IBGE, Nilo Lopes, disse que a ampliação da queda está ocorrendo, inclusive no caso de combustíveis, por causa da redução do rendimento dos trabalhadores. Segundo ele, não há renda disponível para o consumo. No que diz respeito aos automóveis, cuja recuperação das vendas em setembro já foi divulgada pela Anfavea, Lopes explicou que a queda dos juros e do IPI ainda não havia influenciado positivamente o setor em agosto.

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