Desemprego em 2006 é o menor em 10 anos, aponta Pnad

Pesquisa mostra, além disso, redução do trabalho infantil no País e alta na contratação dos mais experientes

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

14 de setembro de 2007 | 10h57

O índice de desemprego no País em 2006 foi o menor desde 1997. É o que aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), divulgada nesta sexta-feira, 14, segundo a qual a taxa de pessoas desempregadas no ano passado foi de 8,4%. Veja também:População do País está envelhecendo, aponta IBGERendimento da população tem maior alta desde Plano RealAcesso à internet cresce mantendo disparidades regionaisNúmero de brasileiros cursando ensino superior cresce 13,2% O número de pessoas ocupadas no Brasil somava 89,3 milhões em 2006, com aumento de 2,4% em relação ao ano anterior, com a entrada de 2,1 milhões de ocupados no mercado de trabalho em 1996.  Segundo o gerente da pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo, que também participou da Pnad, a queda no desemprego no ano passado já era esperada, porque houve abertura de vagas no mercado de trabalho, a qualidade do emprego aumentou e o rendimento cresceu. "A queda na taxa reflete uma melhoria do mercado de trabalho", disse. Em linha com a afirmação do economista, a pesquisa mostra que, entre a população empregada, o número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 4,7%. Assim, a participação dos empregados com carteira no total de ocupados no País subiu de 33,1% em 2005 para 33,8% em 2006.  Já a soma da participação dos trabalhadores sem carteira assinada, por conta própria e não remunerados - grupo considerado informal pelo IBGE - no total de ocupados era de 50,4% no ano passado. Mesmo destacando o aumento da qualidade do mercado, Azeredo ressaltou que ainda "é muito elevada a informalidade" no País.  Trabalho infantil A pesquisa também aponta uma redução do trabalho infantil no País em 2006. O nível de ocupação (porcentual de ocupados para o total da população nessa faixa etária) das crianças de 5 a 17 anos de idade foi estimado em 11,5% em 2006, apresentando queda em relação a 2005 (12,2%). Apesar da queda no nível de ocupação, a Pnad mostra que, em 2006, ainda havia 5,1 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade trabalhando no Brasil, representando 5,7% da população ocupada total com 5 anos ou mais de idade.  Esses trabalhadores de 5 a 17 anos tinham, segundo a Pnad, origem em domicílios cujo rendimento médio per capita estava em torno de R$ 280. Em média, essas crianças estavam sujeitas a uma carga horária semanal de 20 horas de trabalho e mais da metade delas (59,1%) residiam em áreas urbanas, enquanto 41,4% estavam em atividades agrícolas. Além disso, 94,5% eram alfabetizados e 36,1% eram não remunerados.  A Pnad revelou também a evolução temporal do trabalho infantil mostrando que, em 11 anos, a proporção de crianças e adolescentes que estavam trabalhando, em relação à população dessa faixa etária (nível de ocupação) "caiu consideravelmente", passando de 18,7% em 1995 para 11,1% em 2006. Enquanto o trabalho infantil caiu no ano passado, a contratação de trabalhadores mais experientes cresceu no mercado. A participação dos ocupados de 40 a 49 anos de idade no total da população ocupada no País passou de 20,5% em 2005 para 20,8% em 2006. Já a faixa de 50 a 59 anos elevou sua participação de 12,2% para 12,7% no período, e a de 60 anos ou mais, de 6,3% para 6,6%. De acordo com Azeredo, esse aumento na fatia dos mais velhos no total dos ocupados reflete mudanças nas regras de aposentadoria, transformações na estrutura demográfica do País - com crescente envelhecimento da população - e também a opção de algumas empresas de contratação de profissionais mais experientes.  Por outro lado, a participação dos mais jovens no total de ocupados caiu de um ano para o outro. Na faixa etária de 20 a 24 anos, a participação passou de 13,2% em 2005 para 12,8% em 2006.  A Pnad é realizada anualmente e é considerada a mais ampla pesquisa sobre o panorama do mercado de trabalho em todo o País, com dados sobre habitação, rendimento e trabalho, associados a aspectos demográficos e educacionais. Foram entrevistadas 410.241 pessoas e pesquisados 145.547 domicílios em todo o Brasil. A pesquisa foi iniciada pelo IBGE em 1967 e teve a abrangência geográfica ampliada ano a ano até 2004, quando alcançou a cobertura completa do território nacional. Os dados captados pela Pnad são utilizados em diversas pesquisas do IBGE, como no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), em geração de informações sobre cultura e projeções de população.

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