Desemprego em junho em SP é o menor para o mês desde 1995

Taxa cai de 14,1% em maio para 13,9%; nível de ocupação na região surpreeende analistas da Seade e do Dieese

Célia Froufe, da Agência Estado,

30 de julho de 2008 | 10h02

A taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo caiu de 14,1% em maio para 13,9% em junho, a menor para o mês desde 1995. As informações são da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgada nesta quarta-feira, 30, pela Fundação Seade e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).   O nível de ocupação no comércio varejista da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) surpreendeu os coordenadores da Seade e do Dieese em junho. No período, houve a contratação de 57 mil novos funcionários no setor, uma taxa de crescimento de 3,9% na comparação com maio, e que elevou para 1,501 milhão o total de trabalhadores no varejo.   "O comércio apresentou um desempenho fora de linha, muito forte para o mês em questão, quando não há uma data comemorativa que impulsione as vendas, como o Dia das Mães (maio) e Natal (dezembro). É um mês morto", comparou o coordenador de análise da Fundação Seade, Alexandre Loloian.   O contingente de desempregados apresentou pequena redução (21 mil) de maio para junho e foi estimado pela Fundação Seade e o Dieese em 1,460 milhão de pessoas. Este resultado reflete as oscilações no contingente de ocupados (acréscimo de 16 mil) e na População Economicamente Ativa (PEA), que apresentou redução de 5 mil pessoas no período.   Comparada a junho de 2007, a taxa de desemprego total passou de 14,9% para os atuais 13,9%. Nos últimos 12 meses, 55 mil pessoas deixaram a situação de desemprego, uma vez que foram criados 390 mil postos de trabalho. As novas vagas foram mais do que suficientes para absorver o contingente de 335 mil pessoas que passaram a integrar a força de trabalho da região, ainda segundo a Seade e o Dieese. A taxa de participação subiu de 62,7% para 63,9% nesse período.   Os rendimentos médios reais de ocupados e assalariados na região metropolitana de São Paulo apresentaram alta de 0,3% de abril para maio. De acordo com a pesquisa, o rendimento médio dos ocupados correspondia a R$ 1.222,00, enquanto o dos assalariados estava em R$ 1.301,00 em maio.   Brasil   Segunda os dados da Seade e do Dieese, a taxa de desemprego total caiu de 14,8% em maio para 14,6% em junho nas seis regiões metropolitanas pesquisadas. No Distrito Federal a taxa de desemprego cedeu de 17,4% em maio para 16,9% em junho; em Belo Horizonte saiu de 10,7% para 9,9%; em Porto Alegre passou de 12,2% para 11,9%; em Salvador foi reduzida de 20,8% para 20,6% e em São Paulo de 14,1% para 13,9%. A única região a apresentar aumento da taxa de desemprego no período foi Recife, de 20,5% em maio para 20,6% em junho.   Em maio de 2008, no conjunto das regiões pesquisadas, os rendimentos médios reais dos ocupados cresceram 0,8%, mesma taxa vista também entre os assalariados. Em termos monetários, segundo a Fundação e o Dieese, seus valores passaram a corresponder a R$ 1.151,00 e R$ 1.241,00, respectivamente. O rendimento médio real dos ocupados aumentou, em Belo Horizonte (4%, passando a R$ 1.075,00), Porto Alegre, (2,8%, R$ 1.097,00) e Salvador (2,7%, R$ 930,00). Em São Paulo a taxa ficou relativamente estável, ao subir 0,3% e atingir R$ 1.222,00. Em Recife (-4,5%, R$ 707,00) e no Distrito Federal (-1,2%, R$ 1.645,00) houve diminuição.   Abalo   Na avaliação de Loloian, porém, a perspectiva totalmente otimista que se tinha em relação à economia, principalmente com os dados de emprego e renda, no início do ano, começou a se abalar. Ele citou as incertezas atuais em relação aos desdobramentos da crise no mercado de crédito dos Estados Unidos, a alta dos preços das commodities e da inflação, além da política de aperto monetário promovida atualmente pelo Banco Central.   Para o economista, este momento de indecisão se traduz na diminuição do emprego no setor privado revelada por meio da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela Fundação Seade e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).   O contingente de assalariados apresentou leve queda (-0,1%) entre maio e junho, resultado do decréscimo do emprego no setor privado (0,7%) e aumento no setor público (4%). A diminuição do emprego no setor privado foi mais intensa entre os que não possuíam carteira de trabalho assinada (-2,1%) do que para os que possuíam (-0,3%).   O coordenado acrescentou que quando o Banco Central começa a elevar os juros (a Selic subiu 0,50 ponto porcentual em abril e junho e mais 0,75 pp este mês, para 13,00% ao ano) diminui-se a confiança com a expectativa de atividade fortalecida. Ainda que haja uma defasagem entre a atuação da autoridade monetária e os números da economia real, Loloian destacou que a primeira manifestação no mercado de trabalho dá-se na contratação de empregados formais.   Para ele, a situação do momento não é pior porque a expansão do crédito é mais importante para a atividade econômica do que a alta de juros. "Ainda não vemos mudanças significativas no nível de consumo", considerou.

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