Desemprego em março é o menor para o mês desde 2002

Contudo, renda não consegue acompanhar inflação e sobe apenas 2% em 12 meses

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

24 de abril de 2008 | 09h08

A taxa de desemprego apurada nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 8,6% em março, ante 8,7% em fevereiro, segundo divulgou nesta quinta-feira, 24, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da menor taxa para um mês de março da série histórica da pesquisa, iniciada em março de 2002. Já o rendimento médio real dos trabalhadores chegou a R$ 1.188,90. Houve queda de 0,6% ante fevereiro e aumento de 2% ante março do ano passado. A população ocupada nas seis principais regiões metropolitanas do País somou 21,28 milhões em março, com aumento de 0,6% ante fevereiro e de 3,5% na comparação com março de 2007. O número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego) chegou a 1,99 milhão, com queda de 0,8% ante fevereiro e recuo de 14,1% no confronto com março do ano passado. Trata-se do maior recuo apurado ante igual mês do ano anterior desde agosto de 2005.  O gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, disse que a "estabilidade" na taxa de desemprego em março foi "uma surpresa". Segundo ele, a taxa estável nessa época do ano mostra uma tendência de evolução no mercado de trabalho, ou seja, que "está entrando gente no mercado, o cenário econômico está favorecendo as contratações". Azeredo afirmou que nessa época do ano seria natural uma nova elevação da taxa, como havia ocorrido em fevereiro, um comportamento tradicional na série histórica. O gerente disse que não é possível afirmar que o resultado de março aponta para uma inflexão em breve, para baixo, na taxa de desemprego. No entanto, admitiu que "mantido o cenário, é bem possível que tenhamos um ponto de inflexão na taxa de desocupação antes do período esperado, que é a partir de maio ou junho".  Entre os grupamentos de atividades investigados na pesquisa mensal de emprego do IBGE, nas seis principais regiões metropolitanas do País, o maior aumento da ocupação apurado em março na comparação com o mês anterior foi apurado na construção (4,3%), seguido de outros serviços (hospedagem, alimentação, turismo, com alta de 0,9%) e indústria (0,7%). A única atividade a registrar queda no número de ocupados ante fevereiro foi o comércio (-1,3%). Na comparação com março do ano passado, a atividade com maior expansão no número de ocupados foi outros serviços (7,2%), seguido de serviços prestados às empresas (inclui atividades financeiras, com alta de 5,5%) e educação, saúde e administração pública (5,0%). Nesse confronto, o único recuo foi apurado em serviços domésticos (-6,1%).  São Paulo A taxa de desemprego apurada pelo IBGE na Região Metropolitana de São Paulo ficou em 9,4% em março, ante 9,3% em fevereiro. A variação de um mês para o outro não é considerada como estatisticamente significativa pelo instituto, que considera que a taxa ficou estável em março, ante fevereiro, na região. Em março do ano passado, a taxa de desemprego na região havia sido de 11,5%. A população ocupada em São Paulo somou 9,09 milhões em março, com aumento de 0,9% ante fevereiro e de 4,3% ante março de 2007. Já o número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego) somou 941 mil pessoas, com alta de 1,3% ante fevereiro, mas queda de 16,7% na comparação com março de 2007. Entre as seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, a maior taxa de desemprego em março foi registrada no Rio de Janeiro (6,7%) e a maior taxa foi apurada em Salvador (12,8%).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.