Desemprego em queda indica investimentos privados

A queda da taxa de desemprego para 9,6% em dezembro de 2004, divulgada ontem pelo IBGE, reforça a percepção de que o setor privado está acreditando e investindo, afirmou o consultor financeiro e jornalista João Marcos Cicarelli, em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News". Cicarelli criticou as declarações do presidente Lula, que acusou o setor produtivo de ser responsável pela alta da inflação. "É muito desagradável quando o presidente da República vem atribuir a alta da inflação a certa ganância do setor produtivo, e ameaçando até com facilidade de importação. Não é por aí. Não é o setor produtivo que está inflacionando. Nossa inflação não é de demanda, é de preços administrados." O consultor avalia que a taxa de juros possa se manter em 11% ao ano, em 2005. "Mesmo que agora, em fevereiro, não haja um novo aumento da taxa Selic, a perspectiva da reversão da curva está muito distante. É provável que a gente atravesse até maio ou junho, se não houver outras elevações, pelo menos com a manutenção desses juros, que não estão muitos civilizados." Cicarelli destacou o fato de o primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, ter pedido esforço especial para estimular o avanço das pequenas e médias empresas espanholas no Brasil, e de que há espaço para diversificar os investimentos. Para ele, esses investimentos são muito bem-vindos. "Na Europa, está havendo um consenso desse crescimento dos investimentos externos. Se o Brasil, como alertou Zapatero, respeitar os contratos, não tenho dúvida que será um porto seguro para o capital que vem de fora. Mas se ficarmos desrespeitando contratos e com controvérsias legislativas, o capital estrangeiro não chega com esta facilidade, não." Para o consultor, as negociações de um acordo bilateral de livre comércio entre o Mercosul e o Canadá, divulgado ontem pelo jornal "Valor Econômico", fogem das propostas iniciais do bloco sul-americano. "O Mercosul parece que está deixando de ser um bloco coeso, como era a proposta inicial, para começar a fazer concessões ao Canadá e aos EUA. Isso pode deixar de fortalecer o bloco como era projetado inicialmente."

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