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Desemprego em SP pode fechar o ano em até 19,3%

A taxa média de desemprego na região metropolitana de São Paulo deverá fechar 2002 posicionada na faixa entre 19,3% e 18,2% da População Economicamente Ativa (PEA) da região, respectivamente verificadas nos anos de 1999 e 1998 e que são os dois piores índices registrados desde 1985, segundo técnicos da Fundação Seade e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese)."O desempenho desse ano já está comprometido, ainda que tenhamos uma melhora dos índices de novembro e dezembro", estimou o diretor Técnico do Dieese, Sérgio Mendonça. Segundo ele, o levantamento da média do primeiro semestre de 2002 apontou para uma taxa de desemprego de 19,4% da PEA.A gerente de Análise de Pesquisas da Fundação Seade, Paula Montagner, também fez uma previsão pessimista para o fechamento deste ano. "As taxas atuais estão no patamar de 1999 e acredito que vamos reproduzir esses números em 2002", afirmou.Segundo os dois especialistas, ainda na esteira do resultado de um ano ruim e por conta das projeções divulgadas até o momento, 2003 tende a ser um ano também de resultados negativos na área de emprego. "Não me lembro, desde 1985, de termos dois anos consecutivos de segundo semestre com atipicidade no desemprego", informou Mendonça.A "atipicidade", nesse caso, surge do fato de historicamente o desemprego cair na segunda metade do ano, o que não aconteceu nos últimos dois anos. "Se considerarmos que o melhor crescimento econômico previsto para 2003 é de 3% do PIB, escalada inflacionária e ainda sem expectativa de melhora do comércio internacional, podemos esperar um início de ano muito nervoso", manifestou.A perspectiva, portanto, é de que apenas uma melhora na economia do País e, conseqüentemente, no índice de emprego, venha a acontecer no segundo semestre do ano que vem. "Em termos de médias estatísticas, a melhora dos índices só ocorrerá em 2004", adiantou.RendaNa avaliação de Mendonça e de Paula Montagner, o desempenho ruim do mercado de trabalho na região metropolitana de São Paulo, assim como em todo o País, é motivado principalmente por conta da depreciação de salários. "A massa de renda foi muito reprimida nos últimos quatro anos", explica Paula.Um dado na pesquisa divulgada hoje pelas duas instituições mostra bem a gravidade do momento: os 10% mais pobres da população da região ganham até R$ 181, menos do que o salário mínimo, de R$ 200. Se considerada a massa de trabalhadores da região, estimada em 7,61 milhões de pessoas, os técnicos arriscam dizer que quase 800 mil pessoas dos 39 municípios da região metropolitana de São Paulo ganham menos que um salário mínimo."Há dois anos, quando um aumento do mínimo era concedido, isso se repercutia até dois meses depois nesses 10% mais pobres da população. Agora, o mínimo foi reajustado em maio e até setembro não atingiu essa camada de trabalhadores", analisou o diretor do Dieese.O índice de desemprego atingido em outubro, de 19% da PEA, foi justificado pelos especialistas pela ausência de criação de novos postos de trabalho, uma motivação diferente da encontrada ao longo dos últimos anos."Ao contrário de outros meses, em que vimos o desemprego crescer porque mais gente procurava trabalho, ou seja, era ampliado o mercado, dessa vez trata-se da não geração de novos postos, já que o número de pessoas procurando emprego permaneceu estável", explicou Paula.Embora o setor industrial tenha contratado 12 mil pessoas e o de serviços tenha se mantido estável, o comércio, que deveria começar a contratar já em outubro para se preparar para as festas de fim de ano, demitiu 26 mil trabalhadores."A economia está muito lenta e isso pode ser percebido no comércio, que deve ter optado por adiar as contratações para os meses de novembro e dezembro", avaliou a gerente.

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