Desemprego entre jovens é 3,5 vezes maior que entre adultos

O desemprego entre jovens é 3,5 vezes maior que entre adultos, o que faz os mais novos serem vítimas fáceis da exclusão social e torna necessária a adoção de medidas dos governos para mudar a tendência, afirmou nesta terça-feira a Organização Internacional do Trabalho (OIT).Um relatório apresentado pela agência da ONU por ocasião de sua conferência anual, realizada até 16 de junho em Genebra, indica que o desemprego e o subemprego dos jovens têm altos custos, já que podem afetar permanentemente a capacidade dos jovens de serem empregados.Segundo o estudo, em 2004 menos da metade dos jovens disponíveis para trabalhar tinha um emprego e muitos estavam subempregados, com contratos temporários ou desempenhando um trabalho de produtividade insuficiente.Em muitos países em desenvolvimento, a grande maioria de jovens trabalha na economia informal: calcula-se que 93% de novos postos criados na África e quase todos na América Latina pertencem à "economia informal" dessas regiões. Além disso, 59 milhões de jovens entre 15 e 18 anos de idade no mundo fazem trabalhos perigosos, segundo a OIT.Desemprego entre os jovens no mundoA taxa de desemprego entre os jovens se mantém alta no mundo todo, com 88 milhões de jovens desempregados, o que equivale a 47% de todas as pessoas que não têm emprego. O problema piorou entre 1993 e 2003, quando a participação dos jovens na força de trabalho caiu 4%, principalmente porque aumentaram os que iam à escola e os que dedicavam mais tempo à formação.O relatório lembra que na década de 90 cresceu em 15% o número de alunos de ensino médio e em 8% o de ensino superior. Dentro da discriminação que os jovens sofrem, alguns setores específicos são mais prejudicados, como os de deficientes, os portadores de HIV, os imigrantes e os mais pobres.As avaliações mais recentes indicam que 25% dos jovens do mundo, que representam 22,5% da população mundial, estão em situação de extrema pobreza. As perspectivas da OIT mostram que em 2015 haverá 660 milhões de jovens trabalhando ou procurando emprego, o que implica um aumento de 7,5% em relação aos que faziam parte da força de trabalho em 2003. Além disso, entre 2003 e 2015 haverá "mais jovens do que nunca para entrar no mercado de trabalho", afirma o relatório da agência especializada da ONU.ProvidênciasPara mudar a tendência, a OIT adverte os governos de que antes de planejar políticas sobre o assunto é necessário ter dados qualitativos e quantitativos confiáveis sobre o emprego de jovens em nível nacional. Além disso, a agência recomenda a participação de outros atores sociais, principalmente sindicatos e patronais, na elaboração e na aplicação dessas políticas, e a preparação de estudos sobre as necessidades do mercado de trabalho.

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