Desemprego entre jovens é recorde no mundo

O desemprego entre os jovens atinge um número recorde no mundo e tudo indica que, até 2015, será cada vez mais difícil encontrar um trabalho para pessoas entre 15 e 24 anos. A avaliação é da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que, para marcar o Dia Internacional da Juventude, hoje, publica um estudo onde mostra, entre vários aspectos, que o desemprego entre essa camada da população na América Latina teve um aumento de 44% nos últimos dez anos e que, no total, 9,4 milhões de jovens latino-americanos estão sem encontrar um emprego. Segundo o relatório, uma redução pela metade do número desses desempregados da região poderia adicionar até 7,8% ao PIB do continente, entre US$ 186 bilhões e US$ 298 bilhões.De acordo com a OIT, o problema do desemprego é geral, mas atinge os jovens de maneira mais intensa. São 88 milhões de jovens sem emprego no mundo, uma taxa que representa 14,4% dessa população, contra 11,7% em 1993. O que preocupa a OIT é que as pessoas entre 15 e 24 anos já somam 47% do total dos desempregados no mundo, mas representam apenas 25% da população em idade de trabalhar. O problema atinge economias desenvolvidas e em desenvolvimento. Mas, nos países pobres, um jovem tem 3,5 vezes mais chance de não encontrar um trabalho que um adulto e, na América Latina, enquanto a taxa de desempregados entre 15 e 24 anos chega a 16,6%, o índice entre os adultos é de 5,4%.Durante os últimos dez anos, o problema do desemprego dos jovens não parou de aumentar. Enquanto o número de jovens no mundo cresceu 10,5% desde 1993, os postos de trabalho para essa população cresceram 0,2%. A América Latina, por exemplo, somou 13,1% a mais de jovens nos últimos dez anos, passando de 95 milhões de pessoas para 104 milhões. O problema é que apenas 2,8% a mais de jovens conseguiu entrar no mercado de trabalho nesse mesmo período e os empregados passaram de 46,2 milhões de jovens para 47,5 milhões. "Estamos desperdiçando uma parte importante da energia e do talento da geração de jovens mais educada que tivemos", completou Juan Somavia, diretor da OIT. O que também assusta a OIT é o fato de que, na América Latina, o aumento percentual do número de jovens desempregados foi o dobro da média mundial. Entre os países latino-americanos, o número absoluto de jovens sem emprego passou de 6,5 milhões em 1993 para 9,4 milhões em 2003, um aumento de 44,2%. Já o total mundial registrou um aumento de 23%. Isso significa que a região passou a ter 16,6% de sua população entre 15 e 24 anos sem trabalho, uma taxa acima da média mundial e quatro pontos percentuais acima do que foi registrado na América Latina em 1993. E o problema não deve parar por aí. Em 2015, 660 milhões de jovens estarão trabalhando ou buscando trabalho em todo o mundo, principalmente nos países pobres onde estão 85% dos jovens. Isso representa um aumento de 7,5% a mais na massa de trabalhadores jovens em comparação a 2003 e significará que nunca na história tantos jovens estarão em concorrência por um trabalho como nos próximos dez anos. No continente latino-americano, uma massa adicional de 1,7 milhão de jovens vai buscar trabalho até 2015, principalmente no setor de serviços, onde estão entre 80% e 90% das novas oportunidade de emprego. O perigo, porém, é de que esses novos trabalhadores engrossem o número de pessoas atuando no setor informal, que nos últimos anos tem sido a alternativa para muitos. Segundo a Comissão Econômica da ONU para a América Latina, o trabalho setor informal da região cresceu de 43%, em 1990, para 48,4% em 1999. CrescimentoPara a OIT, a questão crucial é saber como o mundo em desenvolvimento criará postos suficientes de trabalho para incorporar os novos empregados. Na avaliação da entidade, a resposta dependerá das taxas de crescimento econômico dos países. Mas os autores dos relatório alertam: não será qualquer crescimento que irá gerar novos empregos. "Governos devem adotar política pró-empregos e ter a questão como o centro de suas políticas macro-econômicas", afirmou Dorothea Schmidt, uma das autoras do estudo. Segundo ela, não basta apenas o governo falar na redução do déficit nas contas públicas sem pensar nos efeitos para os empregos. GanhosPara mostrar a urgência em atacar o problema, a OIT tenta mostrar que combater o desemprego dos jovens traria ganhos para a economia mundial. Se a atual taxa de 14,4% dos jovens sem um trabalho fosse reduzida pela metade, entre US$ 2,1 trilhões e US$ 3,4 trilhões seriam somados ao PIB mundial, um ganho de até 7% em comparação ao PIB do planeta em 2003. Para a OIT, a região que mais se beneficiaria seria a África, que poderia ver seu PIB aumentar em até 19%. Segundo o relatório, dar trabalho aos jovens dessas regiões pode significar tirar famílias inteiras da situação de pobreza. Na avaliação dos especialistas, das 550 milhões de pessoas que trabalham no mundo e não ganham o suficiente para manter suas famílias, 25% delas são jovens. De fato, a OIT insiste em apontar que os trabalhadores jovens são os que mais sofrem com a precariedade no emprego. Eles são os que trabalham por mais horas, são os que mais estão em uma situação informal, são os que ganham menos e são os que contam com a menor proteção social. As discriminações também atingem os jovens de forma mais pronunciada no trabalho. Na América Latina, 20,8% da população feminina entre 15 e 24 anos não encontra trabalho, contra 14% dos meninos. A taxa de desemprego entre as jovens latino-americanas é apenas superada pelo Oriente Médio, onde 31,5% das jovens não tem trabalho. Discriminação também ocorre por causa da cor ou do nível escolar. AliançaUma das formas de lidar com o problema está sendo a construção de uma rede de alianças entre dez países, entre eles o Brasil, Egito e Irã, para debater estratégias de como reduzir o desemprego dos jovens. Segundo a OIT, a rede tem promovido o desenvolvimento de políticas de emprego nesses países.

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