Desemprego fica estável em abril, mas pode subir em maio

De março a abril o desemprego ficou estável na Grande São Paulo, segundo informou, nesta quarta-feira, a Fundação Seade e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A taxa foi de 16,9% da População Economicamente Ativa (PEA), contra 17,5% do mês anterior. O contingente de desempregados foi estimado em 1,7 milhão de pessoas nos 39 municípios da região. O levantamento indica que o nível de ocupação se manteve estável, com a oscilação de 0,3%, resultado da criação de 37 mil postos em Serviços e outros 3 mil no agregado Outros Setores, concentrado em Construção Civil e Serviços Domésticos; e uma eliminação de vagas na Indústria, com 13 mil demissões, e no Comércio, com 5 mil cortes.A estabilidade chamou a atenção dos responsáveis pela pesquisa. "O usual seria que, em abril, a ocupação aumentasse e a PEA acompanhasse esse crescimento, o que, em último caso, resultaria em até alguma expansão do nível de desemprego", explicou o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio. "Foi um movimento pouco comum o que constatamos em abril, principalmente porque, desde 1991, em torno de 150 mil pessoas, ingressam na PEA entre março e abril. E, este ano, foram apenas 27 mil pessoas, o que é quase nada diante de uma PEA de mais de 10 milhões de pessoas", apontou o gerente de Análises da PED pela Fundação Seade, Alexandre Loloian.Em 12 anos de pesquisa, foi a menor variação da PEA entre abril e março, segundo os especialistas, algo que ainda não pode ser caracterizado nem como positivo e nem como negativo. "Vamos aguardar as próximas pesquisas para saber se não houve um deslocamento do ingresso de pessoas de abril para maio ou junho", afirmou Loloian.Rendimento Os rendimentos médios reais dos ocupados e assalariados caíram em março, em relação a fevereiro. Assim, o rendimento médio dos ocupados passou a valer a R$ 1.053, baixa de 2,2% ante fevereiro, e os dos assalariados representou R$ 1.117, recuo de 2,5% sobre o mês anterior.Preocupação Também preocupa, segundo o gerente da Fundação Seade, o baixo crescimento da ocupação no mês, de apenas 0,3%, num movimento similar aos verificados nos meses de abril de 2003 (0,3%), de 2002 (0,5%), de abril de 1997 (0,4%) e de 1998 (0,6%), anos notadamente de desempenho fraco da economia. "Prefiro acreditar numa postergação dos fatos. Não há, até este momento, nenhum motivo para imaginarmos que o desempenho econômico do ano seja ruim", observou Loloian.Na mesma linha, Ganz Lúcio indicou que as análises de comportamento da economia, ao longo de 2005, mostram-se positivas, com a inflação convergindo para o centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN); com o crescimento da economia acima de 3%; juros com tendência de baixa; e alguma recuperação do câmbio, gerando certa sustentação das exportações. "Nesse sentido, pensando conjunturalmente e num prazo maior, mantemos nossa expectativa de que a economia cresça e que haja um rebatimento no nível de emprego e na expansão do rendimento. Em quanto isso vai crescer, ainda não sabemos, mas todas as sinalizações são de um cenário positivo", argumentou Ganz Lúcio.Desemprego pode subirAinda por conta desta dúvida sobre o comportamento do mercado de trabalho, os técnicos admitem a possibilidade de a taxa de desemprego subir em maio, uma vez que é esperada alguma melhora na ocupação e que o crescimento da PEA, que não aconteceu em abril, ocorra no mês seguinte."Anos acompanhando esta pesquisa nos ensinaram a respeitar o ´cheiro da rua´ em busca do emprego. Se a população não saiu a caça de emprego em abril, é porque pode ter percebido que não havia oferta de vagas, como o baixo crescimento da ocupação acabou por confirmar esta percepção. Se, em maio, surgirem postos de trabalho, pode ser que a PEA aumente e amplie o desemprego", ponderou Loloian.Este texto foi atualizado às 15h06.

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