Desemprego já chega a 24,4% na Espanha

Especialistas dizem que será necessário um pacote para resgatar bancos, enquanto o governo anuncia mais cortes de gastos e aumento de impostos

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE/ GENEBRA, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2012 | 03h06

Um quarto da população desempregada, mais da metade dos jovens sem trabalho, economia em recessão e o governo anunciando novos impostos para cobrir as contas. A crise na Espanha ganha contornos dramáticos e coloca país no centro das incertezas da Europa. Ontem, mais uma agência de risco rebaixou a nota da Espanha, colocando o país perto da avaliação de "lixo".

Para o mercado, Madri poderá ser obrigada a falar em um resgate para seus bancos. Para a oposição, o aprofundamento da crise é mais uma prova de que a austeridade não é a solução.

Em apenas quatro anos, a Espanha destruiu quase 4 milhões de postos de trabalho e as demissões continuarão. 24,4% da população está desempregada, são mais de 5,6 milhões de pessoas. Desde o início do ano, foram 365 mil novas demissões. A taxa é mais de duas vezes superior à média europeia e quatro vezes a da Alemanha. Há 1,7 milhão de residências sem ninguém da família trabalhando.

A economia do país implodiu em 2009, com o colapso da bolha imobiliária. Agora, é a crise da dívida que agrava a situação. Para 2012, a previsão é de uma contração de 1,7%. O governo de Mariano Rajoy anunciou o corte de 27 bilhões de euros do orçamento para atingir as metas fiscais da União Europeia, o maior pacote de austeridade da história democrática do país.

Mas nem assim o objetivo será alcançado e Rajoy não convenceu os mercados. A Standard & Poor's deu mais um golpe, reduzindo a classificação do país para BBB+ e prevendo que a recessão de 2012 continuará em 2013. Pela redução, a Espanha poderia até perder a condição de grau de investimento. O impacto do rebaixamento foi sentido imediatamente na Itália, onde o risco país subiu. "Investidores descobrem que os papéis dos governos da Espanha e Itália não são tão seguros quanto imaginavam", apontou uma nota do Citigroup.

Para a S&P's, está claro que o governo espanhol terá de começar a falar em resgatar seus bancos. Madri quer uma participação privada nesse resgate, mas se recusa a falar em uma ajuda da Europa. "O estado pode ser chamado a ajudar os bancos", alertou o chefe da S&P's na Europa, Moritz Kraemer.

Ontem, Rajoy teve de abandonar uma de suas promessas de campanha e anunciou que os impostos vão subir em 2013, com a elevação do imposto sobre valor agregado.

Desemprego. Em números absolutos, a Espanha atinge seu recorde no que se refere ao desemprego. As taxas são bem mais elevadas que nos meses de 2009, ano da pior crise mundial em 70 anos. A taxa está praticamente empatada com o recorde de 1994, quando o desemprego foi de 24,5%.

O que mais preocupa o governo é que as perspectivas não são positivas. Parte do pacote de austeridade sequer entrou em vigor e, quando o estado deixar de investir, a previsão é de mais demissões. Rajoy estima que, na atual legislatura, outras 630 mil vagas serão eliminadas. A taxa, nesse caso, superaria a marca de 26%.

A crise social alimenta o debate sobre a eficácia das medidas de austeridade. Ontem, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e o premier italiano Mario Monti assinaram uma declaração apelando para que a Europa busque políticas de crescimento, sempre que não signifique dívidas. Na Espanha, o ministro da Economia, Luis de Guindos, disse que as políticas de austeridade e elevação de impostos não serão abandonadas, nem com a taxa de desemprego.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.