Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Desemprego mantém taxa recorde de 14,7% no trimestre encerrado em abril

País tem quase 14,8 milhões de pessoas em busca de trabalho; em relação a abril de 2020, o número de pessoas em busca de uma vaga aumentou 15,2%

Daniela Amorim, Thaís Barcellos e Cícero Cotrim , O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2021 | 09h23
Atualizado 30 de junho de 2021 | 12h35

RIO e SÃO PAULO - A taxa de desemprego no País manteve-se no patamar recorde de 14,7% no trimestre encerrado em abril, mesmo resultado visto em março, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 30.

No momento, há um aumento já esperado no total de pessoas em busca de emprego, mas o mercado de trabalho ainda está sem fôlego para gerar vagas para toda a mão de obra disponível, avaliou Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

“Depois de 2020, em que milhões de pessoas perderam o trabalho, curioso seria não haver procura por trabalho”, opinou Adriana. “Tudo o que ocorreu em 2020, você dificilmente vai resolver nos quatro primeiros meses de 2021.”

No trimestre encerrado em abril, havia 14,761 milhões de pessoas desempregadas, 489 mil pessoas a mais em busca de uma vaga em relação ao trimestre encerrado em janeiro. Em relação a abril de 2020, o número de desempregados aumentou 15,2%, 1,950 milhão de pessoas a mais procurando trabalho.

"A taxa de desemprego provavelmente vai continuar em dois dígitos por um período longo de tempo, enquanto o número considerável de trabalhadores desencorajados começa a procurar empregos e a retornar à força de trabalho em um ritmo mais rápido do que o de criação de novos empregos", escreveu o economista Alberto Ramos, em relatório do banco Goldman Sachs.

A população ocupada somou 85,940 milhões de pessoas no trimestre encerrado em abril, 85 mil trabalhadores a menos em um trimestre. Em relação a um ano antes, 3,302 milhões de pessoas perderam seus empregos.

Há menos 7,7 milhões de pessoas ocupadas no trimestre encerrado em abril em relação a fevereiro de 2020, no pré-pandemia, o que representa uma perda de 8,3% no estoque da população ocupada, apontou o economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores.

“É um número bem preocupante, que mostra de alguma forma a fragilidade do mercado de trabalho”, disse Imaizumi. “Mesmo com a volta do auxílio emergencial em abril, o montante pago nessa nova rodada é menor do que em 2020, o que não segura as pessoas em casa. Mesmo com a pandemia forte em abril, as pessoas precisam estar na rua para recompor renda”, acrescentou o economista, que espera também um crescimento no número de pessoas trabalhando de forma precária nos próximos meses.

Avanço na população inativa

Em abril, a taxa de desemprego só não subiu mais porque a população inativa cresceu para 76,383 milhões de pessoas, 6 mil a mais que no trimestre anterior. Em relação ao mesmo período de 2020, a população inativa aumentou em 5,457 milhões de pessoas.

Considerando todos os brasileiros subutilizados, faltou trabalho para 33,252 milhões de pessoas no País no trimestre até abril de 2021. A conta inclui as pessoas em busca de emprego, quem está trabalhando menos horas do que gostaria e poderia, além das pessoas que não estão procurando vaga, mas estão disponíveis para trabalhar, como os desalentados.

Segundo a analista da Pnad Contínua, o mercado de trabalho responde a estímulos econômicos, ao consumo das famílias, à possibilidade de crédito. Portanto, o aumento no recrutamento de mão de obra depende de um conjunto de fatores, da situação da economia como um todo. Os setores menos afetados pela crise econômica provocada pela pandemia mostram melhor desempenho na absorção de mão de obra, como a agricultura e os serviços de tecnologia da informação.

“A agricultura não é afetada por restrições, tem condições de operar num nível melhor de normalidade”, contou Adriana.

No segmento de informação, comunicação e atividades financeiras, a ocupação já supera o patamar pré-pandemia, puxado pelo segmento de tecnologia da informação. “A demanda por conectividade tem feito com que esse grupamento tenha se beneficiado tanto na demanda pelo volume de serviços quanto por profissionais”, justificou Adriana.

Quanto ao tipo de vínculo de trabalho, o trabalho por conta própria se destaca ante o patamar de um ano antes. A modalidade, que tem forte predomínio de informalidade, é impulsionada por pessoas que perderam o emprego na pandemia e não conseguiram se recolocar na mesma atividade, mas também por integrantes da família que não trabalhavam, mas que passam a atuar por conta própria para ajudar a complementar a renda da família reduzida pela pandemia, explicou Adriana Beringuy.

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