Desemprego menor em setembro é pontual,avaliam analistas

A queda na taxa de desemprego para 4,9% em setembro, ante 5,0% em agosto, informada nesta quinta-feira, 23,, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não significa que o mercado de trabalho brasileiro esteja saudável, segundo Alexandre Póvoa, sócio da Canepa Asset Management. Ele explica que se trata de um efeito estatístico, em função do aumento na inatividade. "A taxa de desemprego está em um ponto de inflexão e deve começar a piorar gradativamente, o que será mais visível em 2016", comenta.

ÁLVARO CAMPOS E MARIA REGINA SILVA, Estadão Conteúdo

23 de outubro de 2014 | 10h30

Ele aponta que a indústria demitiu 59 mil pessoas em setembro, mostrando uma fragilidade muito grande. Já o setor de serviços também começa a fraquejar. Os serviços prestados a empresas, por exemplo, tiveram aumento de apenas 0,2% no contingente de trabalhadores de agosto para setembro. "Já, já nós vamos começar a ver o efeito do desemprego nos serviços, que são o grande empregador".

Póvoa aponta que a estabilidade da massa de renda real habitual dos ocupados em setembro ante agosto mostra que muitas empresas estão na fase final do processo de tentar manter seus funcionários. "Elas seguraram as dispensas de funcionários até onde deu", comenta.

O analista explica que os dados dessazonalizados do Caged já apontam para uma forte queda na criação de empregos e diz que uma hora isso deve se refletir nos números do IBGE. "Em algum momento o denominador (número de pessoas procurando emprego) vai se estabilizar, e com o numerador aumentando, o desemprego vai subir".

Crédit Agricole

Na avaliação do estrategista-chefe do Crédit Agricole Brasil, Vladimir Caramaschi, a ligeira desaceleração da taxa de desemprego em setembro nas seis regiões metropolitanas do País reflete efeitos estatísticos e não indica que o mercado de trabalho está aquecido, pois houve demissão em alguns setores e a massa real está estável, disse em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. "A queda veio de população economicamente ativa, o número de vagas recuou. Isso não é sinal de força de trabalho. É um efeito estatístico", afirmou.

Segundo o IBGEa taxa de desemprego de setembro é a menor para o mês desde 2002. Para Caramaschi, o debate sobre o motivo do arrefecimento do nível do desemprego é amplo, mas pode ter algum reflexo dos programas sociais, que acaba por permitir que a pessoa tenha condições de se dedicar aos estudos, por exemplo. "É uma discussão em aberto, mas o que podemos perceber. "Os dados do IBGE mostram piora do mercado de trabalho. Houve demissão em vários setores", avaliou.

Conforme o economista, o fato de estar acontecendo fechamento de vagas indica que a atividade mais fraca está, sim, batendo no emprego. Esse cenário, disse, não deve ser revertido tão cedo. "Independentemente de quem vença a eleição, alguns ajuste macroeconômicos terão de ser feitos no ano que vem e que possivelmente não devem trazer benefícios ao mercado de trabalho", finalizou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.