Desemprego na Grande São Paulo bate recorde dos meses de janeiro

O desemprego da Região Metropolitana de São Paulo em janeiro bateu o recorde histórico do mês na série histórica, calculada desde 1985. Segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Fundação Seade e do Dieese, o desemprego passou para 18,6% da População Economicamente Ativa (PEA), o que representa 1,750 milhão de desempregados, 82 mil a mais do que em janeiro do ano passado.E as projeções para o ano não são boas. O desemprego tende a aumentar até o fim do primeiro semestre, apesar de o desempenho de janeiro (estabilidade estatística ante dezembro, quando o índice foi de 18,5%) ter sido melhor do que o esperado. "Sazonalmente, o desemprego cresce até abril, maio, disse o diretor do Dieese, Sérgio Mendonça. Para ele, a novidade neste ano é o provável conflito entre os Estados Unidos e o Iraque. "Toda vez que há um choque externo o Brasil vai mal", disse.Tanto Mendonça quanto Paula Montagner, a gerente do Seade, acreditam que, além da guerra, o outro fator contrário à recuperação do emprego é a inflação. "A inflação alta vai contaminar vários meses deste ano", disse Mendonça."Janeiro foi um mês de governo novo, de elevação de juros e do dólar, que voltou a pressionar. A conjuntura foi desfavorável, e para o mercado de trabalho não foi diferente", disse Mendonça.O desemprego cresceu mais para pessoas de 40 anos ou mais (4,4%), chefes de família (2,9%) e jovens de 18 a 24 anos (2,2%). Houve redução no emprego para as pessoas de 25 a 39 anos (-4,1%) e de 15 a 17 anos (-0,8%). O tempo de procura por um trabalho aumentou de 52 para 53 semanas.O setor que mais fechou vagas foi o de outros serviços, que engloba construção civil e serviços domésticos, com demissão de 50 mil pessoas. Em seguida, vieram os setores de serviços, que fechou 45 mil vagas, e industrial, com 40 mil. O comércio compensou essas quedas com a abertura de 48 mil vagas. O setor industrial teve redução do emprego na área de vestuário e têxtil, de 7,5%, o que representou 23 mil vagas a menos. "O ajuste na indústria em 2002 não foi tão forte, ela se sustentou. E também começou 2003 até que bem" disse Mendonça.No mês de dezembro de 2002, o rendimento médio dos ocupados caiu 0,8%, para R$ 872, e o dos assalariados recuou 0,7%, para R$ 895. Em relação a dezembro de 2001, o salário médio do setor privado caiu 10,2%, fruto do desempenho negativo da indústria (-8,2%), do comércio (-11,4%) e dos serviços (-11,5%). "O ajuste da renda é generalizado em todos os setores e é coerente com o desemprego alto, economia em baixa e aceleração da inflação", afirmou Mendonça.

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