Desemprego na Grande São Paulo cresce em janeiro

A taxa de desemprego total dos 39 municípios que formam a região metropolitana de São Paulo ficou em 14,4% da População Economicamente Ativa (PEA) em janeiro, registrando um pequeno aumento em relação ao índice de 14,2% verificado em dezembro do ano passado. Apesar disso, a taxa é a menor para o mês desde 1998.A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 28, pela Fundação Seade, em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), que estimou o contingente de desempregados na Grande São Paulo em 1,45 milhão de pessoas.Com esse resultado, o número de ocupados foi estimado em 8,65 milhões de pessoas, 67 mil a menos que no mês de dezembro. Entre os setores de atividade analisados, verificou-se redução de postos de trabalho nos serviços (79 mil) e na indústria (31 mil), que não foram compensados pelas ocupações geradas no comércio (33 mil) e no agregado Outros Setores (10 mil).Segundo o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, "o comportamento do mercado de trabalho em janeiro foi normal, com um crescimento discreto do desemprego, quase de estabilidade. Foi um bom resultado".Na avaliação do gerente de análises da PED pela Fundação Seade, Alexandre Loloian, a boa surpresa reservada para o mês foi a criação de 33 mil postos de trabalho no comércio, o que atenuou o corte de 79 mil postos em serviços e outros 31 mil na indústria. "Aparentemente, temos um novo calendário, em que as contratações do comércio se estendem de dezembro para janeiro, provavelmente por causa dos saldões de queima de estoque do começo do ano", ponderou Loloian.Além disso, o gerente do Seade lembrou que a baixa renda encontrada na maior parte da população estimula as aquisições das liquidações, o que obriga o setor comercial a se preparar para o atendimento dos consumidores. Também contribuiu para dirimir o crescimento do desemprego os 10 mil postos gerados no agregado outros setores, concentrado em serviços domésticos e construção civil, no caso de pequenas reformas e autoconstrução. "O setor de construção civil parece dar as primeiras mostras de contratações graças aos estímulos que tem recebido, com redução de tributos e maior oferta de crédito", considerou Ganz Lúcio.RendaOs rendimentos médios reais de ocupados e assalariados cresceram 1,4% e 1,1%, respectivamente, entre novembro e dezembro do ano passado, interrompendo a queda verificada nos três meses anteriores. O rendimento médio real de ocupados ficou em R$ 1.118 ao passo que o dos assalariados foi estimado em R$ 1.174.Os especialistas também não mostraram grande entusiasmo com o crescimento do rendimento médio real. Para eles, a alta se deveu principalmente a fatores sazonais, com maior disponibilidade de renda, trazida pelo 13º salário, e pelo aumento dos rendimentos gerados aos trabalhadores comissionados.Embora o resultado tenha sido considerado positivo em janeiro, os especialistas preferiram não fazer projeções se o mesmo comportamento será mantido para o restante do trimestre. "É difícil prever que esse comportamento vai se manter, mas nossa visão é de que o ano será bom. Não há nada que indique problemas mais sérios para a economia e, no quarto trimestre de 2006, pudemos notar uma puxada do crescimento econômico", pontuou Loloian. Matéria alterada às 12h58 para acréscimo de informações

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