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Desemprego na Grande São Paulo deve cair em 2006

Técnicos da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) indicaram hoje que o nível de desemprego na Grande São Paulo tenderá a cair este ano por conta do crescimento da economia. Considerando o comportamento histórico do mercado de trabalho no País, porém, a tendência dos três primeiros meses do ano é de crescimento do desemprego."Não vimos, até o momento, nenhuma previsão de que o crescimento econômico de 2006 fique abaixo do verificado no ano passado (projeção do Produto Interno Bruto - PIB, de 2,5%). Portanto, nossa expectativa é positiva para 2006, mas talvez o nível de emprego não cresça tanto como em 2005", informou o coordenador de análise da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) pela Fundação Seade, Alexandre Loloian.Ele destacou que, apesar de o crescimento econômico de 2005 frustrar todas as projeções feitas no início do ano passado, houve crescimento de 3,2% do nível de emprego, em média, na Grande São Paulo. A performance é a mesma da identificada na comparação entre 2004 e 2003. "Este biênio revela, relativamente aos anos anteriores, que se alterou a relação entre crescimento do PIB e geração de emprego. Na década de 90, a cada ponto porcentual do PIB, havia crescimento médio de 0,5 ponto porcentual de emprego. O que vemos hoje é que, ao que tudo indica, a criação de postos ocorre na mesma intensidade da expansão do nível de atividade econômica", analisou o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.Ele não quis, entretanto, estimar qual poderá ser o impacto de geração de emprego na Grande São Paulo caso o PIB atinja de 3,5% a 4,5%, este ano. "Infelizmente, não temos pesquisas para saber de fato qual é a estratégia das empresas. O que esperamos é que o crescimento econômico reduza o desemprego e provoque alguma recuperação da renda", afirmou.DesempenhoO desempenho do rendimento dos trabalhadores, por sinal, foi o ponto de maior frustração dos especialistas das duas instituições, ao comentarem o comportamento do mercado de trabalho na Grande São Paulo no ano passado. Como a expansão do emprego surpreendeu, e o índice de desemprego atingiu sua menor taxa desde 1998, os especialistas esperavam expansão de renda. Isso porque, já em 2004 em comparação com 2003, o rendimento dos ocupados havia subido 1,2%, enquanto o dos assalariados teve elevação de 1,4%. No ano passado, o rendimento médio dos ocupados caiu 0,4%, enquanto o dos assalariados subiu 0,6%."Está tudo oscilando na margem e não podemos culpar a inflação por este comportamento porque ela foi muito bem em 2005", adiantou Loloian. Como causa para a estabilização do rendimento, os técnicos das duas instituições avaliaram que o dinamismo do mercado de trabalho, com as freqüentes substituições de trabalhadores nas empresas, não foi capaz de promover expansão da renda. Destacaram, por exemplo, que houve expansão nos rendimentos na indústria paulista, mas que, em sentido contrário, o comércio e o setor de serviços depreciaram os salários."Comércio e serviços são os setores que mais facilmente precarizam as relações de trabalho, têm altas taxas de horas extras e mesmo assim há uma pressão fortíssima de demanda de trabalho. Há rotatividade intensa e, portanto, substituição de trabalhadores por outros com oferta menor de salário", explicou Lúcio. "Não podemos esquecer que a região metropolitana de São Paulo ainda possui 1,60 milhão de desempregados e isso ainda pressiona o mercado de trabalho e a luta para a melhora do rendimento", complementou Loloian. Eles apontaram também que os trabalhadores dos dois segmentos, diferentemente da indústria, contam com baixa representatividade sindical, outro fator a dificultar a recomposição dos salários.

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